Internado desde 30 de outubro na Casa de Saúde São José, no Rio de Janeiro, Pedro Paulo Rangel morreu na madrugada desta quarta-feira (21/12), aos 74 anos, de acordo com a assessoria de imprensa do hospital.
O ator, que fumou até 1998, recebeu há 20 anos o diagnóstico de doença obstrutiva pulmonar crônica, conhecida popularmente como enfisema. Progressiva, a DPOC não tem cura, mas Rangel conseguiu controlar seu avanço, com remédios e fisioterapia. Não conseguia caminhar por muitos metros, mas no palco se movimentava perfeitamente, ele dizia.
Pedro Paulo Rangel nasceu em 29 de junho de 1948, no Rio de Janeiro. O interesse pelo teatro surgiu aos 11 anos e o levou a participar de peças infantis e amadoras durante toda a adolescência.
A estreia como profissional aconteceu em São Paulo, em 1968, na peça “Roda Viva”, de Chico Buarque. O espetáculo era derivado da canção do mesmo nome. Ao se mudar para a capital paulista, ele ainda atuou em “Galileu Galilei”, de Bertold Brecht, sob a direção de José Celso Martínez Correa, e “Romeu e Julieta”, de Shakespeare, com Jô Soares como diretor, ambas em 1969.
Ganhou seu primeiro prêmio Molière de melhor ator de teatro em 1982, por “A Aurora da Minha Vida”, de Naum Alves de Sousa. Ainda receberia mais dois —em 1989, por “Machado em Cena – Um Sarau Carioca”, de Luís Lima, e em 1994, por “O Sermão da Quarta-Feira de Cinzas”, de Moacir Chaves, um monólogo em que interpretava o padre Antonio Vieira e que e também rendeu a ele os prêmios Shell e Mambembe.
Pedro Paulo Rangel estava em cartaz no Rio com o monólogo “O Ator e o Lobo” quando foi internado. Não deixou filhos, mas era queridíssimo pelos amigos. Sua timidez às vezes era confundida com antipatia, mas conseguia ser divertido sem tentar ser engraçado.
Sua morte tira de cena um dos maiores nomes do nosso teatro. Nunca foi propriamente um astro, mas sua versatilidade e carisma garantem a ele um lugar de honra entre os maiores atores brasileiros de todos os tempos.
Folhapress





