17/09/2026

Morre Michael Snow, mestre do cinema experimental, pintor e polímata, aos 94.

Morreu na última quinta-feira (5/1) o canadense Michael Snow aos 94 anos, nome de peso do cinema experimental que também teve uma obra vasta como pintor, fotógrafo, escultura e pianista de jazz.

A morte foi confirmada pela galeria Jack Shainman, que o representava, e segundo sua mulher, Peggy Gale, Snow morreu por causa de uma pneumonia, em Toronto.

Polímata, o artista é responsável por trabalhos considerados obras-primas do cinema underground, tais como “Wavelength”, de 1967 —que consiste em 45 minutos de um longo zoom em um mesmo plano, que atravessa um loft em Manhattan até que uma fotografia na parede desse apartamento ocupe toda a tela.

Na época do lançamento, o crítico Manny Farber, da revista Artforum, classificou a obra como um potencial “Nascimento de uma Nação” do cinema experimental, em referência ao clássico de D.W. Griffith.

O filme causou polêmica em uma exibicação no MoMA em Nova York, quando a sessão teve ser interrompida após protestos do público. Os relatos são de que espectadores até saíram no tapa, com um alegando que a obra não era arte, mas uma fraude.

Em um catálogo de uma mostra coletiva de 1967, Snow destacou como dava importância para a conexão entre as artes. “Minhas pinturas são feitas por um cineasta, escultura por um músico, filmes por um pintor, música por um cineasta, pinturas por um escultor, escultura de um cineasta, filmes de um músico, música de um escultor”, escreveu, destacando seus múltiplos interesses.

Snow nasceu em 1928 em Toronto, onde estudou arte, e passou a juventude como pianista de jazz à noite e pintor durante o dia. Foi para Nova York em 1961 com sua primeira mulher, a artista plástica Joyce Wieland, onde fez amizade com nomes do cinema experimental como Jonas Mekas e o compositor Steve Reich.

Dentre outras obras de destaque suas no cinema estão “Back and Forth”, de 1969 —feito em uma sala de aula, em que uma câmera vai de um lado para o outro, aumentando sua velocidade gradativamente—, o extenso “La Région Centrale”, de 1971 —em que acompanhamos por três horas a vigília de uma câmera nas montanhas canandenses ao longo de um dia, controlada por um braço robótico—, além do jocoso “So Is This”, de 1981 —no qual, em cerca de 50 minutos, vemos uma série de palavras escritas em branco, uma por vez, em um fundo preto.
Folhapress

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