17/09/2026

Morre José Luiz de Magalhães Lins, banqueiro que financiou o Cinema Novo.

Morreu na tarde desta sexta-feira (3/2) o banqueiro José Luiz de Magalhães Lins, aos 93 anos. A informação foi confirmada pela família, que disse que o falecimento ocorreu por causa naturais.

Lins tratava de pneumonia e morreu em sua casa no Rio de Janeiro, às 14h20. “Ele partiu há pouco e teve uma passagem pacífica. Estamos consternados, porém em paz”, disse José Antonio Magalhães Lins, um dos filhos do banqueiro.

Nascido em Arcos (MG), Lins trabalhou no Banco Nacional de Minas Gerais, onde começou como escriturário, em 1948, e permaneceu até se tornar diretor-executivo da instituição, que alcançou o posto de segundo maior banco privado do país.

Próximo a políticos, artistas, militares, atletas, jornalistas empresários, atuou nos bastidores de episódios centrais da história recente do Brasil, como mostra reportagem da Folha, de 2020.

Comandou a campanha de João Goulart pela volta do presidencialismo, participou das articulações do golpe militar no ano seguinte e salvou Garrincha da cadeia.

No entanto, o banqueiro ganhou fama após se tornar um dos principais financiadores do Cinema Novo, movimento cinematográfico brasileiro dos anos 1960 e 1970.

Lins patrocinou obras como “Deus e o Diabo na Terra do Sol” e “Terra em Transe”, de Glauber Rocha; “Vidas Secas”, de Nelson Pereira dos Santos; “Os Fuzis”, de Ruy Guerra; “A Grande Cidade”, de Cacá Diegues; entre outros clássicos do cinema nacional.

“O exemplo do sr. José Luiz Magalhães Lins é de extraordinária importância neste momento que vive o cinema brasileiro, o mais fértil de sua história”, escreveu Glauber Rocha, em 1963.

Em entrevista ao jornalista Claudio Leal, uma das raras que já concedeu, Lins destacou a retidão dos cineastas naquela época. “Enquanto eu estive no negócio, ninguém deu prejuízo. Ninguém.”

O banqueiro conviveu com figuras que transitavam por todo o espectro político. Antes do golpe militar, ele coordenou campanha de João Goulart, em 1963. Um ano depois, seu tio Magalhães Pinto se alinhou ao regime na conspiração contra Jango.
Folhapress

O Diário Caiçara é produzido por uma equipe capacitada que apura, publica e reproduz diariamente, dezenas de notícias sobre o Litoral Norte Paulista e outros conteúdos de relevância. Seguimos um rígido padrão editorial, com verificação cuidadosa de informações e compromisso permanente com a verdade. Nosso trabalho é pautado pela transparência, responsabilidade e pelo jornalismo sério que garante a credibilidade de tudo o que entregamos ao leitor. Diário Caiçara: em defesa do jornalismo profissional.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima