17/09/2026

Moraes teve reportagem como única base para decisão contra empresários bolsonaristas.

A decisão de Alexandre de Moraes contra empresários bolsonaristas atendeu a um pedido da Polícia Federal que tinha como base somente reportagem sobre conversas de teor golpista. Nenhuma outra diligência preliminar foi realizada antes de o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) autorizar as medidas de busca e apreensão.

Segundo informações colhidas pela Folha, as medidas solicitadas tinham o objetivo de investigar e paralisar imediatamente qualquer eventual tipo de financiamento em andamento de ações antidemocráticas. A decisão de Moraes é mantida em sigilo e não há prazo para o segredo de Justiça cair.

As citações nas mensagens aos atos convocados para o 7 de Setembro por Jair Bolsonaro (PL), de acordo com relatos, foram levadas em conta na escolha das buscas pela PF.

As conversas entre os empresários foram reveladas pelo site Metrópoles. Após a divulgação das mensagens, participantes do grupo negaram intenção golpista.

Em uma das mensagens, o empresário José Koury diz preferir um golpe à volta do PT e que “ninguém vai deixar de fazer negócios com o Brasil” caso o país vire uma ditadura. Koury, segundo o Metrópoles, também chegou a sugerir o pagamento de bônus a funcionários que votassem seguindo a indicação dos empresários.

O entendimento de pessoas que participam da apuração é que, se comprovada atuação dos empresários para organizar ou financiar qualquer ato contra o Estado democrático de Direito, se trata de mais um evento da associação criminosa investigada no inquérito das milícias digitais.

Por esse motivo, o pedido foi feito dentro dessa investigação de relatoria de Moraes.

A Folha apurou que essas medidas mais invasivas foram as escolhidas pela necessidade de acesso com rapidez ao conteúdo das mensagens para comprovar ou não a ação dos empresários.

A escolha pela busca, no entanto, se deu pelo fato do objetivo buscado pelos investigadores ser alcançado de uma forma mais rápida.

A conta feita é que a quebra telemática demoraria mais tempo e poderia não permitir o acesso ao conteúdo das conversas, uma vez que nem sempre eles ficam armazenados na nuvem dos usuários.

Uma das mensagens mostra Marco Aurélio Raymundo, da Mormaii, falando das manifestações convocadas pelo presidente Bolsonaro e cita uma possível união do povo ao Exército.

“O 7 de Setembro está sendo programado para unir o povo e o Exército e ao mesmo tempo deixar claro de que lado o Exército está. Estratégia top e o palco será o Rio. A cidade ícone brasileira no exterior. Vai deixar muito claro”, postou no grupo.

Nesse cenário, segundo relatos colhidos pela Folha, o dano maior seria não tomar uma medida mais invasiva e permitir uma possível ação em relação aos atos de 7 de Setembro.
Folhapress

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