O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Gonçalves Dias, pediu demissão do cargo nesta quarta-feira, 19/4, após aparecer em imagens do circuito interno de TV do Palácio do Planalto sem confrontar invasores que depredaram o prédio nos ataques golpistas de 8 de janeiro. O pedido foi aceito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante encontro com o general e ministros palacianos. G. Dias é o primeiro ministro a cair em 109 dias de governo.
O presidente convocou uma reunião de emergência no Planalto, com ministros de seu círculo mais próximo, para discutir a mais nova crise política. Auxiliares de Lula convenceram o general a entregar o cargo, sob o argumento de que a situação era insustentável.
Antes mesmo da saída de G. Dias, o governo já estava convencido de que, após a divulgação das imagens, reveladas pela CNN Brasil, não havia mais como segurar a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que a oposição quer instalar para investigar os atos antidemocráticos de 8 de janeiro. O circuito interno de câmeras do Planalto mostrou que o chefe do GSI estava na antessala do gabinete de Lula, naquele dia, e chegou a indicar rotas de saída para os vândalos que promoveram quebra-quebra na Praça dos Três Poderes.
Até hoje, o Planalto ainda nutria alguma esperança de retirar assinaturas para a abertura da CPMI, por meio da distribuição de cargos e emendas. Agora, tentará ter maioria na comissão e, para tanto, espera contar com o apoio do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).
Lula sempre diz que todos sabem como começa, mas nunca como termina uma CPMI. A estratégia do Planalto é atuar para garantir maioria na comissão e evitar ainda mais desgaste. Na avaliação do presidente, a CPMI tem potencial para atrapalhar votações consideradas fundamentais para o crescimento do País, como a do novo arcabouço fiscal. O projeto de lei foi entregue ao Congresso nesta terça-feira, 18, pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
G. Dias foi orientado a pedir demissão diante do intenso desgaste e de questionamento. Suas funções já haviam sido esvaziadas pelo presidente, após os atos de 8 de janeiro. Lula reclamou publicamente de falhas na inteligência presidencial, desconfiava de militares da ativa e falava de forma recorrente em suspeita de conivência.
O presidente entregou o cargo interinamente ao jornalista Ricardo Capelli, secretário-executivo do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Estadão





