O grupo Comporte Participações SA arrematou em leilão a estatal federal CBTU (Companhia Brasileira de Trens Urbanos) em Minas Gerais e será a responsável pela gestão do sistema de metrô de Belo Horizonte.
O leilão foi realizado na manhã desta quinta-feira (22/12) na sede da B3 em São Paulo e teve uma única concorrente. A Comporte fez uma oferta de R$ 25,7 milhões, o que representa ágio de 33% em relação ao valor inicial do leilão, que era de R$ 19 milhões.
Holding que atua no setor de mobilidade há mais de 70 anos, o grupo Comporte tem origem na cidade de Patrocínio, em Minas Gerais. Em nota, a empresa informou que está entusiasmada com o resultado do certame e destacou que o leilão é a primeira fase da licitação, que ainda inclui outras etapas.
Realizado no apagar das luzes do governo Jair Bolsonaro (PL), o leilão foi alvo de uma ofensiva da base de apoio ao presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que buscou travar a privatização.
A venda da CBTU de Minas também motivou uma greve de metroviários em Belo Horizonte que chega ao sétimo dia nesta quinta-feira.
A assinatura do contrato está prevista para março, já no governo Lula, depois da apresentação de documentação pela empresa vencedora, que ficará encarregada da obra de expansão do metrô da capital mineira. O volume total de investimentos é de R$ 3,7 bilhões ao longo de 30 anos de concessão.
As tentativas de travar o leilão incluíram o envio de um ofício ao ministro da Economia, Paulo Guedes, pelo vice-presidente eleito Geraldo Alckmin (PSB), que alegou que o projeto terá impacto na sociedade e que os próximos passos do processo serão tocados pelo governo eleito.
Nesta terça-feira (20), Alckmin enviou outro documento a Guedes recuando da solicitação, sem informar as razões. O gesto foi bem recebido pelo governador Romeu Zema (Novo), que apoiou Jair Bolsonaro na eleição e defendia a realização do leilão.
Outra ofensiva havia sido realizada logo após a vitória de Lula pelo senador Alexandre Silveira (PSD-MG), que atuou como membro da equipe de transição no setor de Infraestrutura. Ele apresentou projeto de lei que proibia governos derrotados nas urnas de privatizar bens ou empresas públicas após a eleição, mas a proposta não foi adiante.
Em entrevista à imprensa após o leilão desta quinta-feira, Zema afirmou que as pressões políticas foram elemento central para que houvesse apenas uma concorrente no certame.
Folhapress





