
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a criticar Israel pela resposta “desproporcional” aos ataques do Hamas e pediu apoio dos países da África para uma reforma do sistema de governança global. Segundo o líder brasileiro, a resposta às mazelas atuais “não virá da extrema direita racista e xenófoba”.
O mandatário ainda afirmou que a política e a diplomacia são as únicas formas de encerrar o outro conflito que mobiliza a comunidade internacional, a guerra entre Rússia e Ucrânia.
Além disso, falando para líderes africanos, o presidente disse que o Brasil detém uma dívida de 300 anos de escravidão com o continente e que a única forma de pagar é com “solidariedade e muito amor”.
Lula participou na sessão de abertura da cúpula anual da União Africana, em Adis Abeba, na Etiópia, como líder convidado de fora do continente. O presidente foi bastante aplaudido em alguns momentos do discurso, em particular quando exortava uma união do chamado Sul Global (o grupo dos países emergentes) e cobrava que nações ricas e instituições econômicas amenizassem os termos do pagamento das dívidas para possibilitar o desenvolvimento das nações.
Assim como em suas outras falas, durante a viagem à África, o presidente voltou a criticar Israel por suas ações na Faixa de Gaza. Tel Aviv faz ataques diários no território palestino desde os atentados do grupo terrorista Hamas, em 7 de outubro.
“O momento é propício para resgatar as melhores tradições humanistas dos grandes líderes da descolonização africana. Ser humanista hoje implica condenar os ataques perpetrados pelo Hamas contra civis israelenses e demandar a liberação imediata de todos os reféns”, afirmou o presidente.
Lula ainda voltou a defender a criação de um Estado palestino, que seja reconhecido e membro pleno da ONU. E também pediu novamente uma reforma no sistema internacional político, em particular do Conselho de Segurança da ONU, para que seja mais representativo e sem países com poder de veto.
Nesse ponto, ele criticou a paralisia do órgão em relação ao conflito entre Rússia e Ucrânia.
Folhapress





