Sob ameaças de protestos da ultradireita e em meio à repercussão negativa de suas falas sobre a Guerra na Ucrânia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desembarcou em Lisboa na manhã desta sexta-feira (21/4) para sua primeira viagem oficial à Europa no terceiro mandato.
O petista antecipou a chegada a Portugal, inicialmente prevista para a noite, mas não anunciou compromissos adicionais no país. A agenda oficial começa no sábado (22) e vai até a terça-feira (25).
O dia final da visita, contudo, quando Lula fará um discurso em uma sessão especial no Parlamento português, é o momento de maior tensão. O partido de ultradireita Chega, comandado por um apoiador declarado de Jair Bolsonaro (PL), prometeu um grande protesto contra a presença do brasileiro na Assembleia durante as comemorações da Revolução dos Cravos. Feriado nacional que assinala o fim da ditadura em Portugal, o 25 de abril é uma das principais datas do calendário político local.
Com a terceira maior bancada na Casa, os deputados do Chega podem tumultuar a fala do presidente. A confusão tem ainda potencial para ultrapassar as paredes da Assembleia da República, uma vez que o partido também prometeu mobilizar sua militância, que inclui imigrantes brasileiros e membros de igrejas evangélicas, para uma manifestação nas ruas.
Atentos à movimentação da ultradireita, grupos ligados a esquerda, tanto portugueses quanto brasileiros, articularam suas próprias ações públicas de apoio a Lula.
Os cartazes convocando os críticos ao presidente brasileiro trazem frases como “lugar de ladrão é na prisão”, enquanto a manifestação de apoiadores traz o slogan “democracia sempre, fascismo nunca mais” junto a uma imagem de Lula segurando cravos vermelhos —em referência à data histórica.
Anunciada pelo Planalto como uma oportunidade para “relançar a relação bilateral”, que andou em baixa durante os anos do governo Bolsonaro, a viagem a Portugal começa também ofuscada pela repercussão negativa entre os portugueses das falas de Lula sobre a guerra no Leste Europeu.
Membro do bloco europeu e da Otan, a aliança militar do ocidente, Portugal tem declarado apoio ativo à Ucrânia. Não por acaso, diversos políticos e membros da sociedade civil lusa condenaram as falas do petista. A Associação de Ucranianos no país preparou uma carta aberta de repúdio, que será entregue por seus representantes na embaixada brasileira em Lisboa.
A agenda oficial de Lula na capital portuguesa começa no sábado (22), com encontros com o primeiro-ministro, António Costa, e o presidente, Marcelo Rebelo de Sousa.
Folhapress





