O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem buscado a parcela mais rica do agronegócio para obter apoio ou ao menos reduzir a adesão do setor ao presidente Jair Bolsonaro (PL), seu principal adversário na disputa pelo Palácio do Planalto.
O petista está se beneficiando do descontentamento de exportadores com a deterioração da imagem do Brasil no exterior durante o governo Bolsonaro. O prestígio do país junto aos importadores é importante para os negócios desses empresários. Fora do topo do setor a entrada do PT é mais difícil. Além disso, diversas associações da área têm histórico bolsonarista.
Nas próximas semanas a expectativa é que o vice na chapa de Lula, Geraldo Alckmin (PSB), intensifique as conversas com o setor. O processo está mais adiantado em Mato Grosso. O deputado Neri Geller (PP) disputa uma vaga no Senado com o apoio de Lula.
O senador licenciado Carlos Fávaro (PSD) coordena a campanha do petista no Estado. O nome de maior peso que está trabalhando a favor de Lula é o do empresário Blairo Maggi, ex-governador e ex-senador, que foi ministro da Agricultura na durante o governo Temer.
Também tem ajudado o petista o produtor de sementes Carlos Augustin. Ele trabalha por Lula em Mato Grosso e em outros Estados. “Vou levar o Alckmin para falar com Fintechs em Uberlândia [MG], com produtos de defensivos biológicos. Essas pessoas seriam beneficiadas por um governo não-radical.”, disse ele ao Poder360.
“À medida que se aproxima da eleição, mais pessoas no agro vão se inclinar a demonstrar apoio ao Lula. Mas é difícil. Quando relatei minha visita ao Lula houve ataques digitais para boicotarem a compra das minhas sementes”, afirmou o empresário.
Ele apoiou a candidatura presidencial de Alckmin em 2018. No 2º turno, entre Bolsonaro e Fernando Haddad, votou em branco. É irmão do economista Arno Augustin, que foi secretário do Tesouro no governo de Dilma Rousseff (PT). Mas diz que os 2 têm pouco contato. Há sinais de abertura a Lula em outros Estados além de Mato Grosso, com em São Paulo, Minas Gerias e Mato Grosso do Sul.
Lula não espera receber apoio massivo do setor. Dada a forma como o agronegócio abraçou Jair Bolsonaro em 2018, mesmo o menor avanço sobre o segmento é lucro para o petista. A ideia de aliados de Lula é, rompendo a resistência de ao menos parte dos associados, reduzir a capacidade de ação pró-Bolsonaro de entidades como a Aprosoja. Além disso, petistas mantêm conversas com cooperativas. Nesse caso, porém, trata-se de um segmento em que Lula sempre manteve bom trânsito.
Poder360





