
No telefonema que recebeu do presidente Lula (PT) na última quarta-feira (31/5), o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), aconselhou o petista a se preocupar menos com a América Latina e olhar mais para o Brasil.
A conversa ocorreu na manhã em que o governo estava sob ameaça de sofrer uma inédita e relevante derrota na Câmara com a MP de reformulação da Esplanada dos Ministérios, um dia depois de Lula chefiar em Brasília encontro com representantes de todos os países da América do Sul.
O diálogo foi testemunhado, entre outros, pelo ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, e pelo líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE) —os dois estavam com Lula, que aparentemente falava no viva voz.
De acordo com relatos obtidos pela Folha, Lira teceu um diagnóstico dos problemas na articulação política do governo num tom duro, embora não desrespeitoso, o que incluiu a avaliação de que Lula deveria neste momento se preocupar mais com a desarticulação política interna do que com os problemas da política externa.
No telefonema, que ocorreu por volta das 9h, o presidente da Câmara deu como exemplo a afirmação de que líderes partidários aguardavam havia cinco meses para serem recebidos por ministros do governo. É recorrente a reclamação de que deputados costumeiramente levam “chá de cadeira” nos ministérios.
Lira disse que há uma avaliação de que o Executivo tem desrespeitado os parlamentares e que esses e outros problemas estavam fazendo o governo perder credibilidade na Câmara.
O presidente da Câmara afirmou a interlocutores que fez um relato extenso justamente para que, no futuro, o petista não possa alegar que não sabia da situação por completo. De acordo com aliados de Lula, o presidente tem afirmado que não sabia de todos os problemas que foram listados por Lira.
Além das emendas parlamentares não estarem sendo liberadas, assim como as nomeações em cargos regionais, outras reclamações de deputados são as de que ministros não estão informando sobre agendas em estados.
Lira citou ainda na conversa com Lula que há cinco ministérios que não estão dando andamento na liberação das verbas, entre eles as pastas da Educação, da Saúde e da Agricultura.
Folhapress





