
O líder do Hamas, Ismail Haniyeh, foi morto em um ataque aéreo em Teerã na madrugada desta quarta (31/7), levando a crise iniciada com o mega-atentado terrorista do grupo palestino contra Israel em outubro passado a um passo de uma guerra ampliada no Oriente Médio.
O líder supremo iraniano, Ali Khamenei, acusou o Estado judeu pelo ataque. Israel “fez por merecer a dura punição” que receberá, “uma obrigação do Irã”, disse ele na mídia estatal do país. O assassinato foi condenado por aliados de Teerã, como a Rússia, e interlocutores próximos do Hamas na região, como a Turquia.
Mesmo adversários do Hamas na região, como o Egito, criticaram Israel, que não assumiu ainda a autoria do ataque. O secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, apenas disse seu país não sabia do plano para matar Haniyeh, nem está envolvido em sua execução. O governo em Teerã, por sua vez, diz que os americanos também são responsáveis pela morte.
O assassinato ocorre em um momento extremamente delicado, colocando a tensão na região em um ponto de inflexão. Na terça (30), Israel anunciou ter matado o comandante operacional do Hezbollah, Fuad Shukr, em Beirute.
A milícia fundamentalista xiita libanesa é o principal preposto do Irã na região, combatendo o Estado judeu e os interesses dos Estados Unidos desde sua fundação, em 1982. O Hezbollah ainda não confirmou a morte do líder, mas disse que ele estava no prédio destruído na capital.
O mundo foi dormir preocupado com o risco de escalada que a ação traria, só para acordar em meio a um cenário ainda mais grave. Até aqui, o ponto mais alto havia sido o ataque com mísseis e drones do Irã contra Israel em abril, em retaliação pela morte de um general de Teerã no Líbano, mas resposta comedida de Tel Aviv baixou a fervura.
O regime de Khamenei passa por um momento de contestação e sofre com dificuldades econômicas, o que ajudou a moderar o apetite por um conflito aberto, que poderia envolver os EUA.
Folhapress





