O vale do Anhangabaú, em São Paulo, virou cenário de brigas e assaltos incessantes na noite deste sábado de Virada Cultural. O espaço abrigou o maior palco da programação do centro do evento público deste ano, onde o funkeiro Kevinho se apresentou e teve de encerrar abruptamente seu show devido às confusões que não pararam de pipocar na plateia.
Mesmo antes de ele subir ao palco, a sensação de insegurança nas proximidades do palco Viaduto do Chá era crescente. Funcionários dos bares e das lanchonetes pararam de atender os clientes, relatando medo e tentativas de invasão. A certa altura, parte do público estava espremida nos bares, acuada em meio aos seguidos arrastões.
A apresentação de Kevinho começou pouco depois das 23h, com o cantor pedindo desculpas por problemas técnicos no som. Ele de cara emendou três hits, “Agora É Tudo Meu”, “Terremoto” —esta, parceria com Anitta– e “O Bebê”.
Depois, perguntou quem gosta de suas músicas mais antigas, antes de puxar “Rabiola”, de 2017. Ainda cantou um de seus maiores sucessos, “O Grave Bater”, e sua versão do bregafunk “Amor Falso”, antes de interromper o show, visto por uma multidão abarrotada, pela primeira vez.
“Vocês saíram da casa de vocês para ficar brigando? Vocês têm que dar o exemplo”, ele disse. “Se continuar a briga, eu não vou cantar mais e não vai ter mais evento para vocês. Aqui não é lugar de brigar. É lugar de se divertir e ser feliz.”
Kevinho então voltou a falar sobre as brigas, que não pararam. “Vocês têm que dar o exemplo”, afirmou.
O show continuou, mas as brigas e assaltos só aumentaram, se espalhando por quase todos os espaços à frente do viaduto do Chá. Algumas pessoas desesperadas reclamaram com os bombeiros e funcionários da parte técnica da ausência de policiais no local. Durante todo o show, a reportagem não avistou nem sequer um policial trabalhando para conter as confusões.
Muitas pessoas tentaram pular as grades para se isolar nos espaços destinados aos técnicos de som e os poucos bombeiros, mas foram barrados. Também foi possível ver um fluxo de pessoas em direção às saídas.
Folhapress





