A fala do presidente Jair Bolsonaro (PL) a embaixadores com mentiras em série sobre o sistema eleitoral e mais uma vez em tom golpista provocou reações de repúdio em cadeia nesta terça-feira (19/7) na cúpula do Judiciário e em diferentes setores do Ministério Público.
Um dos alvos dessa pressão foi o procurador-geral da República, Augusto Aras, que tem se mostrado alinhado ao presidente em diferentes temas e mais uma vez é cobrado a investigá-lo.
O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), principal aliado de Bolsonaro no Congresso, seguiu em silêncio sobre os ataques. Depende dele a eventual abertura de um processo de impeachment.
Um dia antes, Bolsonaro repetiu teorias da conspiração e desacreditou as urnas eletrônicas e também atacou ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), sempre em um tom de ameaça.
As falas golpistas não são uma novidade, mas desta vez vieram carregadas de agravantes: feita a embaixadores convocados pelo governo, dentro da residência oficial da Presidência, incluída na agenda oficial de Bolsonaro, com transmissão ao vivo pela TV estatal e às vésperas do início da campanha.
No Brasil, nunca houve registro de fraude nas urnas eletrônicas, em uso desde 1996.
A oposição foi a primeira a reagir nesta terça. Partidos acionaram o STF para que Bolsonaro seja investigado sob suspeita de crime contra as instituições democráticas.
O pedido ao Supremo é assinado por parlamentares de PT, PSOL, PC do B, PDT, Rede, PSB e PV. Eles esperam que a corte autorize abertura de inquérito sobre a conduta do presidente.
Na solicitação, os partidos afirmam que o mandatário não pode “usar do cargo de presidente da República para subverter e atacar a ordem democrática, buscando criar verdadeiro caos no país e desestabilizar as instituições públicas”.
No Judiciário, o presidente do STF, ministro Luiz Fux, repudiou tentativas de questionamento do processo eleitoral, mas sem citar o nome de Bolsonaro.
Um dia antes, Fachin teve reação imediata após a fala de Bolsonaro e disse que quem divulga informações falsas sobre o sistema eleitoral brasileiro “semeia a antidemocracia”.
O presidente em exercício do STJ (Superior Tribunal de Justiça), ministro Jorge Mussi, também afirmou em nota nesta terça que tem “plena confiança no processo eleitoral brasileiro e no Tribunal Superior Eleitoral”.
Folhapress





