Em meio à série de bloqueios de rodovias no país, integrantes do Judiciário articulam uma força-tarefa para convencer Jair Bolsonaro (PL) a reconhecer a derrota na eleição e, assim, ajudar conter os manifestantes que apoiam seu governo.
Nesta terça-feira (1º/11), os ministros Bruno Dantas, do TCU (Tribunal de Contas da União), e Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), buscaram outros ministros do Supremo, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), ministros do governo e presidentes de partidos políticos de centro para tentar convencer Bolsonaro a falar.
Paulo Guedes (Economia) e Tarcísio de Freitas, governador eleito em São Paulo e ex-ministro da Infraestrutura, estão em contato com integrantes do Judiciário.
A avaliação é que uma declaração do mandatário é essencial para conter os movimentos de seus apoiadores nas ruas. Bolsonaro está há cerca de 40 horas em silêncio desde que perdeu a eleição.
Uma parte desses atores avalia que o presidente precisa dar uma declaração reconhecendo a derrota, mesmo que faça críticas ao Judiciário. Dizem ainda que o chefe do Executivo deve se colocar como o líder da oposição a Lula, referendado por 58 milhões de voto.
Há dirigentes partidários que querem que Lira vá até o Palácio do Planalto sozinho ou acompanhado para persuadir Bolsonaro a se posicionar mesmo que não reconhecendo a derrota, mas pedindo aos manifestantes que deixem as estradas.
O presidente da Câmara já esteve com o mandatário, na segunda-feira (31), por cerca de meia hora no Alvorada.
Enquanto uma ala do entorno do mandatário busca pressioná-lo para reconhecer a derrota, outra questiona ainda o resultado das urnas. Auxiliares mais próximos de Bolsonaro tem lançado dúvidas, reservadamente, sobre a apuração dos votos.
Eles reconhecem ainda que os bloqueios são preocupantes, mas dizem ser justificáveis, dando amparo ao discurso dos apoiadores do presidente.
Folhapress





