
Cerca de 45 pessoas morreram durante um ataque de Israel em uma área designada para deslocados em Rafah, no sul da Faixa de Gaza, no domingo (26/5), afirmou nesta segunda-feira (27) o Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas.
A área atingida era um acampamento para onde parte da população de Rafah havia acabado de se mudar por conta do início da ofensiva de Israel na cidade, para onde cerca de 1,5 milhão de palestinos fugiram por ataque de Israel no resto do território palestino.
O ataque também deixou dezenas de feridos. Tendas de ajuda humanitária no local pegaram fogo após as explosões.
Israel disse que uma investigação prévia mostrou que as vítimas foram mortas por incêndios causados pelo bombardeio. O porta-voz do governo, Avi Hyman, afirmou que uma investigação maior sobre o caso está sendo feita.
O Exército israelense também se manifestou e disse que está ciente sobre os civis feridos em decorrência do ataque e que analisa o caso.
Inicialmente, Israel afirmou que o o alvo do ataque aéreo era um complexo do Hamas em Rafah e que os locais atingidos “eram legítimos sob as leis internacionais”. Dois líderes do grupo terrorista foram mortos na operação, de acordo com o Exército do país.
O governo israelense afirmou ainda que os alvos foram “definidos com base em informações precisas”, que indicavam que a área era usada pelo grupo terrorista.
A Médicos Sem Fronteiras publicou mensagem de que ao menos 15 mortos em decorrência do ataque foram levadas para um ponto de apoio da organização e que pede por um cessar-fogo imediato em Gaza.
Na sexta (24), a Corte Internacional de Justiça, o tribunal mais alto da Organização das Nações Unidas (ONU) para julgar disputas entre Estados, ordenou que Israel interrompesse todas as operações militares em Rafah. A decisão é obrigatória, mas o tribunal não dispõe de força policial para garantir que o país a cumpra.
A corte também determinou que o governo israelense permitisse a entrada de ajuda humanitária pela fronteira entre o sul de Gaza e o Egito, além de garantir o acesso de observadores externos para monitorar a situação.
Em resposta à ordem da Corte Internacional, o governo de Israel disse que alegações apresentadas são “falsas, ultrajantes e nojentas” e que a campanha militar “não levou e não vai levar à destruição da população palestina civil em Rafah”.
O Hamas, em comunicado, disse que o plano do tribunal de enviar representantes à Faixa de Gaza é bem-vindo e prometeu cooperar.
Com a ordem, caminhões com ajuda humanitária vindos do Egito começaram a entrar na Faixa de Gaza através da passagem de fronteira de Kerem Shalom, controlada por Israel, neste domingo, informou o canal egípcio Al-Qahera News.
Duzentos caminhões seguiram do lado egípcio da passagem de fronteira de Rafah, fechada desde o início de maio, quando Israel tomou o controle do lado palestino do terminal, até a passagem de Kerem Shalom, a uma distância de quatro quilômetros, informou a emissora.
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