O índice oficial de inflação do país acelerou para 1,62% em março, informou nesta sexta-feira (8) o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
É a maior alta para o mês desde 1994 (42,75%), antes da implantação do real, mostram os dados do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo).
O resultado veio bem acima das expectativas do mercado financeiro. Na mediana, analistas consultados pela agência Bloomberg projetavam taxa de 1,35%. No mês anterior (fevereiro), o IPCA havia subido 1,01%.
Com a entrada dos novos dados, a inflação chegou a 11,30% no acumulado de 12 meses até março. Nessa base de comparação, a alta havia sido de 10,54% até fevereiro.
O mês de março foi marcado pelo início dos reflexos econômicos da guerra entre Rússia e Ucrânia. Um dos primeiros impactos do conflito foi a disparada das cotações do petróleo no mercado internacional.
O avanço da commodity levou a Petrobras a promover um mega-aumento nas refinarias no dia 11 de março.
Isso ocorreu porque o petróleo é uma das variáveis que determinam a política de preços dos combustíveis da estatal. A taxa de câmbio também pesa na estratégia da companhia.
Em 11 de março, a gasolina, que tem grande peso no IPCA, subiu 18,8% nas refinarias. O gás de cozinha, por sua vez, avançou 16,1%. O óleo diesel teve reajuste ainda maior, de 24,9%.
As altas chegaram de maneira rápida a postos de combustíveis e pontos de revenda de gás espalhados pelo país.
O IPCA está em dois dígitos no acumulado de 12 meses desde setembro do ano passado. Assim, encontra-se distante da meta de inflação perseguida pelo BC (Banco Central).
Neste ano, o centro da medida de referência é de 3,50%. O teto é de 5%.
De acordo com analistas, o IPCA deve estourar novamente a meta. Há instituições financeiras que projetam alta superior a 7% no acumulado até dezembro.
Se as estimativas forem confirmadas, 2022 será o segundo ano consecutivo de descumprimento da meta. Em 2021, o IPCA teve alta de 10,06%.
Em uma tentativa de frear a inflação, o BC vem subindo a taxa básica de juros. Em março, a Selic alcançou 11,75% ao ano. O mercado vê espaço para uma taxa ainda mais alta.





