17/09/2026

Indígenas começam a trabalhar em propostas para Lula e Ministério dos Povos.

Lideranças da Apib (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil) já começam a esboçar uma proposta do que pode vir a ser o Ministério dos Povos Indígenas, promessa de campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em campanha, mas que não chegou ao seu plano de governo.

Membros da articulação se reuniram em Brasília nos últimos dias e aprovaram a criação de um grupo de trabalho que atuará, nos próximos dois meses, debruçado sobre estudar as possibilidades para a nova pasta, incluindo sua estrutura.

Pessoas do movimento ouvidas pela Folha, sob anonimato, dizem que o encontro foi apenas uma conversa inicial. A partir de agora, esse grupo, que deve ter cerca de 20 membros, irá aprofundar o debate. Ainda não houve conversa formal sobre nomes para ocupar cargos no Executivo a partir de 2023.

Os indígenas demandam, por exemplo, ter integrantes no comitê de transição chefiado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) —até agora, no entanto, ninguém foi formalmente procurado. A ideia é que o grupo de trabalho municie esses representantes, para que eles possam articular o ministério junto ao governo eleito.

O debate entre as lideranças girou em torno de dois pontos. Um é trabalhar, desde agora, no Congresso, para garantir que haja orçamento para as políticas indígenas, inclusive da nova pasta. Outro é garantir que a participação indígena no governo não se limite a este setor, mas se espalhe por diversas instituições.

Existem hoje, distribuídos por diferentes instâncias do Executivo, alguns órgãos que cuidam de questões relativas aos povos. Por exemplo, a Funai (Fundação Nacional do Índio), a principal instância sobre o tema e que é subordinada ao Ministério da Justiça.

Há um debate se a fundação deve, ou não, ser incorporada ao Ministério dos Povos. Na conversa, segundo pessoas presentes, surgiu até a ideia de que apenas uma parte seja incorporada —por exemplo, a que cuida de questões sociais.

Ainda segundo esses interlocutores, há uma maioria que defende que a Secretaria de Saúde Indígena, a Sesai, siga dentro do Ministério da Saúde.
Folhapress

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