
Redação Diário Caiçara – Ilhabela vai receber a primeira usina pública de dessalinização de água do mar do estado de São Paulo. O projeto é da Sabesp em parceria com a prefeitura municipal, com investimento estimado em R$ 56,4 milhões. A obra vai beneficiar cerca de 60 mil moradores e turistas das regiões central e norte do arquipélago.
O que é dessalinização?
Dessalinizar significa retirar o sal da água do mar para deixá-la própria para beber. A usina vai usar uma tecnologia chamada osmose reversa, que funciona como um filtro de altíssima pressão.
No processo, a água captada perto da foz do Ribeirão Água Branca passa por uma etapa de pré-tratamento, que remove impurezas como areia e algas. Depois, bombas potentes empurram essa água contra membranas com poros microscópicos. Essas membranas retêm o sal e os minerais, deixando passar apenas a água pura. Por fim, são adicionados cloro, flúor, cálcio e magnésio antes da água seguir para a rede de distribuição.
O resíduo salgado que sobra do processo — chamado de salmoura — é devolvido ao mar de forma diluída, por tubulações submersas especiais, para reduzir o impacto na fauna marinha.
Quando vai ficar pronta?
A Sabesp estima concluir toda a implantação em até três anos. Quando estiver funcionando em plena capacidade, a usina vai injetar 20 litros de água por segundo no sistema de abastecimento local. Isso representa um aumento de 20% na oferta de água em bairros que vão de Piúva e Barra Velha até a Ponta das Canas.
Por que Ilhabela foi escolhida?
A cidade sofre com a forte variação de população causada pelo turismo de temporada. Além disso, as restrições ambientais da ilha dificultam a ampliação da captação convencional em rios de água doce.
O prefeito Toninho Colucci afirmou que o investimento prepara a infraestrutura local para as próximas décadas sem degradar o patrimônio ecológico do arquipélago. Diretores da Sabesp destacaram que a tecnologia garante estabilidade no abastecimento mesmo em períodos de estiagem severa, pois não depende de chuvas.
Referência mundial
A técnica de osmose reversa já é amplamente utilizada em países como Israel, Austrália e Arábia Saudita. No Brasil, seu uso ainda se concentrava principalmente no semiárido nordestino e em complexos industriais do Espírito Santo. O projeto de Ilhabela abre um precedente importante para o gerenciamento de água em cidades litorâneas com dificuldade de abastecimento.
Imagem: Sabesp





