17/09/2026

Hospital devastado em Gaza acumula cobertores ensanguentados e muitos corpos


Carros carbonizados alinhados em um estacionamento. Um pátio cheio de cobertores e mochilas ensanguentadas. Roupas rasgadas onde dezenas de corpos estavam deitados.

O impacto devastador de uma explosão no hospital Ahli Arab na Cidade de Gaza na terça-feira (17/10) ficou mais claro nesta quarta (18) por meio de vídeos postados por testemunhas nas redes sociais. O Ministério da Saúde em Gaza disse que centenas de pessoas foram mortas. Equipes de emergência estavam recolhendo corpos e restos mortais na tentativa de identificar os mortos.

“Ainda há muitos corpos que não foram recolhidos”, disse Amir Ahmed, um paramédico do Crescente Vermelho em Gaza. “Há corpos demais.” Ele disse que todas as vítimas seriam enterradas em uma vala comum.

“Há uma grande possibilidade de que eles apenas coloquem um número” nos sacos plásticos dos cadáveres sem nenhum nome, acrescentou Ahmed, “porque muitos estão em pedaços”.

Autoridades palestinas atribuíram a culpa pela carnificina a um ataque israelense, uma afirmação contestada pelas Forças de Defesa de Israel, que afirmaram ter sido causada por um foguete errante disparado pelo Jihad Islâmico. Nenhuma das versões pôde ser verificada de imediato de forma independente, e a causa da explosão e o número preciso de mortos ainda não estavam claros.

Muitos dos mortos no hospital, que é administrado pela Diocese Episcopal de Jerusalém, eram mulheres e crianças, disse o Dr. Ashraf al-Qudra, porta-voz do Ministério da Saúde em Gaza. Ele disse que médicos em outro hospital na cidade de Gaza agora estão realizando cirurgias em pacientes no chão ou nos corredores, muitas vezes sem anestesia.

“O aumento repentino de centenas de vítimas com ferimentos complexos excedeu em muito as capacidades das equipes médicas e das ambulâncias”, disse ele em um comunicado.

Muitos dos feridos podem morrer devido à grave escassez de suprimentos médicos, água e eletricidade. Israel impôs um cerco total a Gaza desde a semana passada, cortando alimentos, água, eletricidade e combustível.

Desde o início do intenso bombardeio de Gaza por Israel em 7 de outubro, em resposta ao ataque surpresa do Hamas que matou pelo menos 1.400 pessoas em Israel, os moradores descobriram que nenhum lugar é seguro.
NYT

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