
Um ano após o maior ataque terrorista de sua história, Israel é um país traumatizado, que ainda tenta absorver a experiência do 7 de Outubro em meio a uma guerra muito mais ampla do que a lançada pelo Hamas palestino.
Nas duas últimas semanas, a Folha percorreu o país, com exceção de sua costa no mar Vermelho. Os relatos colhidos mostram uma sociedade machucada, mas também solidariedade. Morreram no dia dos massacres 1.170 pessoas, e 4.850 ficaram feridas —se a mesma proporção da população tivesse sido atingida no Brasil, seriam 21,5 mil e 86 mil, respectivamente.
“O DNA do país foi mudado”, diz Ron Paz. O funcionário do governo guiava uma visita às 17 comunidades mais atingidas em torno da Faixa de Gaza na data, invadidas por 6.000 homens armados após uma barragem de 4.300 foguetes lançada às 6h29 de um sábado de descanso.
O que Paz não sabe dizer é a resultante do trauma: entre os diretamente afetados, há uma sensação de que a ilusão de paz acabou. “Tudo mudou”, diz Ola Metzger, do kibutz Nir Oz, a um quilômetro de Gaza.
A forma com que cada local atacado lida com essa memória é um exemplo disso: o kibutz Be’eri, onde morreram 101 moradores e 31 militares que foram enfrentar os invasores, está fechado e será demolido. Ninguém vai voltar para lá.
Por outro lado, sete quilômetros abaixo na estrada 232, no local em que 383 jovens que curtiam a rave Nova naquela manhã foram massacrados, um memorial toma forma com placas e árvores com os nomes das vítimas.
Segundo pesquisa feita em setembro pelo Instituto de Estudos de Segurança Nacional, 67% dos israelenses confiam nas Forças Armadas, bem mais que os 25% que sentem o mesmo pelo premiê Binyamin Netanyahu, por exemplo, ou por seu governo (19%).
Nesse sentido, a ampliação da guerra, com a invasão do sul do Líbano e a decapitação do comando do Hezbollah, para além da obliteração da Faixa de Gaza, não encontra resistência: 80% dos ouvidos pelo Instituto da Democracia de Israel aprovam o ataque aos extremistas bancados pelo Irã.
Folhapress





