Na tentativa de dar uma resposta a aliados sobre o encarecimento dos combustíveis sem ceder a iniciativas vistas como mais problemáticas, o governo tem se mostrado disposto a ceder em parte na discussão sobre usar os cofres públicos para amenizar o problema.
Por isso, o governo resgatou recentemente a ideia de o Tesouro Nacional pagar um auxílio mensal a caminhoneiros. A medida era defendida pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) no ano passado como um meio de evitar a perda de sua popularidade entre os profissionais diante do aumento de preços, mas o valor sinalizado (R$ 400) irritou representantes da categoria e o governo havia abandonado a ideia.
Com os aumentos de combustíveis acumulados desde então, a iniciativa voltou ao debate e pode contemplar um público ainda mais amplo desta vez. Agora, o vale pode acabar sendo recebido também por motoristas de táxi e aplicativos (como o Uber).
Na equipe econômica, a ideia não chega a ser defendida –mas é interpretada como uma ação possível diante de tantas ideias vistas como mais danosas. O Ministério da Economia resiste há meses, por exemplo, a um fundo com recursos públicos que bancaria mais subsídios para os combustíveis.
A visão expressa por diferentes membros é que os subsídios criados até hoje para combustíveis não resolvem problemas estruturais, não geram o efeito de baixar os preços e só dragam dinheiro dos cofres públicos. Além disso, esse tipo de medida cria um incentivo para combustíveis fósseis —na contramão do debate global por soluções verdes.
O vale para caminhoneiros é estudado pelo menos desde fevereiro de 2021 diante dos sucessivos receios do governo sobre uma mobilização dos profissionais e a possível deflagração de uma greve aos moldes daquela vivenciada pelo país durante o governo Temer.
No começo, a ideia seria calcular uma média dos quilômetros rodados e do consumo de diesel. Quando o preço aumentasse, os profissionais teriam uma restituição do valor equivalente à tributação federal de PIS/Cofins. Hoje, no entanto, as discussões apontam para um valor mensal fixo a ser pago.
Folhapress





