18/09/2026

Golpe dos ‘nudes’ no Instagram: perfis clonados enganam usuários com venda falsa de conteúdo erótico.

“Bem-vindo à minha página privada”, publicou na segunda-feira, 13, o suposto perfil no Instagram de Évelin Nogueira, 25, moradora de São Carlos, interior de São Paulo, onde cursa Odontologia. “Inscreva-se agora e aproveite meus 30 dias de acesso gratuito e assista a todas as minhas cenas sem censura.” Nada disso é verdade, mas, na mensagem e no perfil, é uma foto pessoal da estudante que aparece.

Nas últimas semanas, o Instagram foi tomado por uma onda de perfis clonados com fins maliciosos, perturbando a paz dos usuários que usam a rede social da Meta (empresa-mãe também de Facebook e WhatsApp). No golpe, criminosos roubam fotos de vítimas aleatórias, criam perfis aparentemente idênticos (com nome de usuário e descrição muito similares) e tentam vender conteúdo adulto se passando por essas pessoas.

A verdadeira Évelin foi avisada do perfil falso por amigos e amigas, que entenderam se tratar de um golpe. Mas a estudante não conseguia abrir o perfil, já que foi bloqueada pelo criminoso e, por isso, estava impossibilitada de visualizar a conta falsa.

Depois de fazer um apelo em sua própria conta para que denunciassem o esquema ao Instagram como falsidade ideológica, o perfil clonado saiu do ar no dia seguinte. “Ficou só um dia no ar, mas muita coisa pode acontecer nesse período”, diz.

Caso similar aconteceu com Júlia Scochi, 28, moradora da capital paulista e criadora de conteúdo focado em games. No Twitter, em 7 de fevereiro, ela publicou: “Gente, fizeram um ‘fake’ (perfil falso) meu no Instagram, e (a pessoa) está divulgando link malicioso. Podem me ajudar a denunciar por favor?”. Horas depois, a página saiu do ar.

“Percebi que estavam clonando diversos outros perfis e supostamente vendendo conteúdo adulto dessas pessoas. Muitas pessoas relataram o problema”, afirma Júlia.

O golpe mira dois alvos. O primeiro – e mais óbvio – são os donos dos perfis clonados. “O risco aqui é da reputação da pessoa, já que os atacantes estão se personificando de uma pessoa real para enganar outras vítimas”, aponta Luis Corrons, especialista de segurança da Avast.

É o caso de Évelin. “Eles podem acabar com a minha imagem ao publicar essas coisas”, conta. Em uma das publicações feitas pelo perfil falso atribuído à estudante de Odontologia, os criminosos publicaram fotos de um vibrador, com o texto: “Quer me ver brincar com ele? Assine agora e tenha acesso grátis”.

Évelin, é claro, ficou assustada. “Fiquei imaginando o que pensariam as pessoas da igreja da minha mãe, por exemplo”, diz.

O segundo tipo de vítima é aquele que clica no link malicioso, fornece informações pessoais e até faz transferências financeiras para os supostos donos do perfil. As contas clonadas direcionam essas vítimas para uma página falsa, onde dados podem ser roubados e o crime, enfim, realizado.
Estadão

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