
A Globo Comunicação e Participações (GCP), maior empresa de mídia do país, registrou lucro líquido de R$ 838,7 milhões em 2023, resultado 100% operacional, fruto de todos os negócios da Globo. O número é 33% menor do que o R$ 1,25 bilhão de 2022, mas o exercício anterior havia sido influenciado por ganhos não recorrentes, como a venda da gravadora Som Livre, concluída em abril daquele ano, evento de natureza distinta do desempenho das operações. “Foi um ano incrível, com o desempenho assegurado por uma boa performance de receitas em publicidade e conteúdo e por uma importante disciplina em custos. Os bons resultados são reflexo das escolhas sustentáveis que fazemos”, disse Manuel Belmar, diretor das áreas de finanças, infraestrutura, jurídico, produtos digitais e canais pagos da Globo.
A empresa encerrou 2023 com uma receita líquida de vendas, publicidade e serviços de R$ 15,1 bilhões, estável em relação a 2022. Os custos, porém, recuaram cerca de 11%, fruto da disciplina que vem sendo implementada nos últimos anos. Também contribuiu para a queda nos custos o fato de que a Globo não teve, no ano passado, pagamentos com grandes eventos esportivos, como a Copa do Mundo da FIFA.
Essa realidade fez a margem melhorar e levou a empresa a registar, em 2023, um lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) de R$ 1,239 bilhão, voltando aos níveis pré-pandemia, em 2019, em termos reais. A margem Ebitda foi de 8%. Em 2022, o Ebitda da Globo havia sido negativo em R$ 41 milhões por força dos compromissos com os os direitos de transmissão da Copa registrados no balanço naquele ano.
Outro indicador do bom desempenho de 2023, segundo Belmar, foi o crescimento de 48% na margem bruta. A margem bruta é um indicador financeiro que mostra quanto uma empresa ganha para cada item vendido, incluindo os custos diretos de produção. “O crescimento da margem foi algo bem importante,” disse Belmar.
Do ponto de vista de balanço, a Globo está confortável com um caixa que equivale a quase três vezes a dívida. O caixa, em dezembro, era de R$ 14,2 bilhões para uma dívida líquida de R$ 5,1 bilhões, o que demonstra um balanço sólido e capitalizado, disse Belmar.
No começo do mês, o diretor-presidente da Globo, Paulo Marinho, disse ao Valor que a Globo prepara novidades que incluem a adesão à TV 3.0, que propõe mudança na forma pela qual o espectador interage com a televisão, e também antecipou a entrada da empresa no marketing de influência, com a Globo montando a sua própria rede de criadores digitais.
O Globoplay tem sido importante nessa estratégia como um “marketplace” que distribui todos os conteúdos da Globo. Em 2023, a plataforma passou de 3 bilhões de horas consumidas no ano, o que representou crescimento de 20% em relação a 2022. Belmar disse que o serviço de streaming da Globo se aproxima de 300 milhões de horas de consumo por mês, o que o que representa mais de 20 milhões de diferentes pessoas passando pela plataforma.
Valor Econômico





