Se em 2021 o “Jornal Nacional” registrou seu pior índice de ibope no país em mais de cinco décadas, tudo indica que em 2022 a coisa será ainda pior. Dados exclusivos do PNT (Painel Nacional de Televisão) obtidos pela coluna mostram que o “JN” já tem o menor índice de audiência num primeiro quadrimestre desde 1969.
No PNT, cada ponto de ibope equivale a cerca de 270 mil domicílios sintonizados. A análise da Kantar Media é feita nas 15 maiores regiões metropolitanas do país, e, no caso do “JN”, vale de segunda a sábado.
Números
No primeiro quadrimestre de 2022, o “JN” está com média de 21,4 pontos e 35,1% de “share”. É o menor “share” (ou participação de um programa no universo de TVs ligadas) de todos os tempos. Até então, o pior começo de ano do “JN” havia sido no ano passado (25,8 pontos e 39,2% de “share”). Para o leitor entender como a situação é complicada: os quatro primeiros meses de 2022 estão entre os oito piores já registrados pelo “JN”.
Por quê?
Não é possível apontar, com certeza, o motivo da perda de público daquele que ainda é líder, maior audiência e considerado o mais importante entre os telejornais da TV brasileira. Porém, é possível fazer uma ilação a respeito: o “JN” pode estar perdendo relevância porque, nos últimos anos, deixou de dar grandes furos jornalísticos. A verdade é que boa parte do que o telejornal exibe já foi publicada na internet durante o dia. A linha editorial também parece estar engessada há anos (quiçá, décadas); falta maleabilidade e às vezes nota-se um viés predeterminado (pela visão Globo do mundo).
Além disso, nos últimos dez anos houve uma explosão nas redes sociais, bem como o surgimento do streaming. Ou seja, as pessoas agora têm outras formas de se informar ou de passar o tempo. Os números mostram que a queda de audiência definitivamente se aprofunda entre o ano passado e 2022.
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