Olá a todos. Desejo uma ótima semana. Durante os últimas dias, a OPEP+, Organização dos Países Exportadores de Petróleo, um organismo internacional que administra e regulamenta a política petrolífera mundial, firmou acordos com a Rússia e a China para negociação de compra e venda de barris de petróleo sem o uso do dólar, sinalizando quebra de monopólio do padrão dólar, o que pode impactar no longo prazo, visto que ambos países movimentam bilhões de dólares anuais quando, sendo um dos maiores compradores e produtores da commoditie.
A medida vem como uma afronta aos Estados Unidos que desde o fim da Segunda Guerra Mundial e, principalmente, pós sistema de Bretton Woods, vem sendo a principal potência no sistema internacional de Estados tendo sua moeda, o dólar, como reservas de valor internacional por outras nações sendo adotada como parâmetro de negociações comerciais.
Entretanto, um movimento contrário vem sendo elencado por algumas nações rivais que almejam ascensão no sistema internacional, como China e Rússia.
O que substituirá?
Desde a criação da zona do euro, a moeda ganhou grande destaque e força de valor perante ao dólar, por agora com a saída do Reino Unido do bloco a imersão é intencionar ainda mais a valorização de sua forte moeda, a libra esterlina.
Além disso, outros movimentos como a criação do Bitcoin e do sistema de criptomoedas, em 2009, como moedas descentralizadas e desinflacionarias para preservação, reserva e desburocratização estatal logo após a crise do subprime americano de 2008, vem de modo afrontoso à utilização do dólar.
As realizações de medidas comerciais já vinham em alta desde o início da guerra na Ucrânia, essencialmente, com Índia e China comercializando por via de moedas locais e criptomoedas adjunto do Oriente Médio e alguns países africanos que aceitaram negociações com a Rússia indo contra dizeres e sanções aplicadas pelos Estados Unidos e aliados aos russos sob alegação de quebra de soberania nacional, crime de guerra e descumprimento de acordo de paz findados pela ONU desde de 1945.
Movimentos internos até no Brasil ganham espaço, tendo em vista o pragmatismo e repúdio explícito a hegemonia norte-americana pelo viés partidário da atual conjuntura do presidente da nação, como o projeto de criação de uma moeda comercial entre Brasil e Argentina (3º maior parceiro comercial do Brasil), a fim de, deliberar a dependência do dólar no comercio entre ambos e facilitar transações com os mesmos.
Não obstante, recentemente bancos brasileiros adentraram ao CIPS, China Interbank Payment System, sistema modelo de alternativa ao sistema americano Swift para compensação financeira que facilitam transações em moedas locais entre os países.
Tendência
Essa moda, caso aderida pode ocasionar mudanças significativas no predomínio estadunidense, o que é pressuposto como um movimento de tendência natural de atores do sistema internacional, visto que, potências e poder atuam de maneira cíclica com o passar do tempo, impérios crescem e caem e novos atores estão sempre dispostos a crescer, ocupar lugar, manipular e controlar a influência e o comércio.
This isn’t America
A derrocada norte-americana não resulta apenas no dólar, porém deriva de fatores outros como: progressismo, hipocrisia, pragmatismo e exclusão, favorecendo assim, a outrem que desejam mais espaços no mundo globalizado, a busca por novos pilares de formação e a percepção de que há mais no mundo do que seguir aos Estados Unidos pro que der e vier.
Isso fica mais explícito quando a OPEP começa a entrar em ainda mais desacordo com os americanos e acabam cedendo a Rússia e a China, além de países que antes seguiam de antemão à medidas e propostas dos EUA e já começam a rebater de frente e questionar prerrogativas americanas, como no México e no Brasil.
Novos atores, solo ou em conjuntos, estão em trabalho para ocupação na Política Externa global e guiamento de novas ondas ideológicas que acercam a vida no planeta.
CPTPP, BRICs, OPEP+, CANZUK, União Europeia, China, Índia, Rússia, Reino Unido já mostram movimentos acerca dessa medida.
Evidentemente, essa substituição não será a bel prazer de um dia para o outro, nem com certa rapidez, é um jogo complexo de xadrez onde todos sabem jogar mas as perspectivas que antes eram de total favor aos EUA já mudaram, ativando assim um sinal de bandeira vermelha, ainda que, as alternativas não soam amplamente ainda como válidas, sólidas e aceitas.
Henry Dias cursa Relações Internacionais e escreve semanalmente neste espaço.





