17/09/2026

Exército identifica três militares suspeitos de furtar armas e investiga cooptação


O Exército identificou três militares suspeitos de participar do furto de 21 metralhadoras no Arsenal de Guerra de São Paulo (AGSP), em Barueri (Grande SP), e investiga se o trio foi cooptado por facções criminosas para o extravio do armamento.

Segundo relato à Folha de oficiais que acompanham a investigação, a principal suspeita é que as armas tenham sido roubadas no feriado do Dia da Independência, em 7 de setembro, quando o quartel estava esvaziado.

As armas que sumiram do AGSP são 13 metralhadoras de calibre .50 (antiaéreas) e oito de calibre 7,62.

Militares que trabalhavam como plantonistas no feriado estão entre os suspeitos. O Exército também pretende punir internamente os responsáveis pelo controle do armamento, que só identificou o furto mais de um mês após o crime.

Os principais suspeitos foram notificados no inquérito policial militar aberto para investigar o crime, para apresentar suas defesas. A Folha questionou o Exército sobre a identificação dos três suspeitos, e a Força respondeu apenas que a investigação corre em sigilo.

O avanço das investigações ocorreu após a Polícia Civil do Rio de Janeiro enviar ao Exército um vídeo que circulava nas redes sociais com imagens de quatro metralhadoras de grosso calibre sendo oferecidas ao Comando Vermelho.

As armas são de modelo semelhante às furtadas no Arsenal de Guerra do Exército e, internamente, oficiais que atuam na investigação reconheceram a possibilidade de serem as metralhadoras levadas do quartel.

Como o vídeo encaminhado pela Polícia do RJ foi gravado logo após o feriado de 7 de setembro, o Exército decidiu focar nas suspeitas de que as armas teriam sido furtadas no Dia da Independência.

Não está descartada ainda a possibilidade de as armas terem sido retiradas pouco a pouco, em dias esparsos. Essa linha de investigação, porém, perdeu força nos últimos dias.

O Exército afirma que as 21 metralhadoras furtadas estavam “inservíveis” e se encontravam no depósito de Barueri para passar por manutenção.

Em pleno funcionamento, as armas .50 são capazes de derrubar helicópteros —tática comumente usada em comunidades ligadas ao Comando Vermelho, como ocorreu no início deste mês. As outras são visadas para roubos a carro-forte, em ações diretas de combate terrestre.
Folhapress

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