Prêmio Nobel de Literatura, o escritor peruano Mario Vargas Llosa afirmou que, apesar das “travessuras” de Jair Bolsonaro (PL), prefere o atual presidente ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“O caso de Bolsonaro é muito difícil. As travessuras de Bolsonaro são muito difíceis para um liberal. Agora, entre Bolsonaro e Lula, prefiro Bolsonaro. Com suas travessuras, ele não é Lula”, comentou.
Defensor do liberalismo, Vargas Llosa insistiu que Bolsonaro “não é um candidato que desperta nosso entusiasmo”.
O escritor fez duras críticas ao atual presidente brasileiro por causa da postura durante a pandemia de covid-19 e, principalmente, os ataques às vacinas.
“Minha impressão de Bolsonaro não é favorável, vi palhaçadas demais no governo, sobretudo a de ser contra a vacina quando a imensa maioria dos brasileiros queria a vacina. Um presidente não pode infringir uma posição popular tão majoritária como foi esse caso. Não nos equivoquemos, Bolsonaro não é um liberal, não representa essa tendência positiva. É um absurdo, é absurdo confrontar-se do jeito que ele (Bolsonaro) fez. Me parece uma irresponsabilidade absoluta”, disse Vargas Llosa, que ganhou o Prêmio Nobel de Literatura em 1990.
O escritor disse não saber afirmar se, no campo econômico, o Brasil progrediu no governo Bolsonaro, mas ele elogiou o ministro da Economia, Paulo Guedes.
“Na prática, o importante é avançar e não retroceder. Com Bolsonaro o Brasil avançou? Não sei, tenho muitas dúvidas a esse respeito. Agora, Bolsonaro deixou nas mãos de um ministro da economia magnífico uma possibilidade de privatização de um setor público gigantesco que tem o Brasil, e isso foi positivo, sem dúvida”, resssaltou.
Por outro lado, o autor de clássicos como “A festa do bode” destacou que “há uma espécie de paixão por Lula, principalmente na Europa”, mas lembrou que o ex-presidente brasileiro “estava na prisão” “por ser ladrão”.
“Lula esteve preso e não fomos nós que o condenamos, foram os juízes brasileiros que o condenaram por ser ladrão. Se equivocaram os juízes? Eu conheci o juiz que o mandou à prisão (Moro) e me parece um homem de uma integridade absoluta, um homem absolutamente guiado por princípios de moralidade, decência e respeito às leis. Ele renunciou a sua candidatura à presidência, é um juiz que se atreveu a enviar Lula à cadeia.
AFP





