
Após dois dias, o Egito reabriu na tarde desta segunda (6/11) a fronteira com a Faixa de Gaza para receber estrangeiros, cidadãos com dupla nacionalidade, egípcios e palestinos feridos graves atingidos pela guerra de Israel contra o Hamas, que controla o território palestino.
Ainda não foram liberadas, contudo, novas listas com nomes de cidadãos autorizados a sair. Com isso, o grupo coordenado pelo Itamaraty deverá ter mais um dia de angustiante espera nas cidades de Rafah em Khan Yunis.
No domingo (5/11) as autoridades do Cairo haviam suspendido a emissão de novas listas e mantiveram os portões do posto de Rafah fechados. O motivo, que não foi alegado oficialmente, foi o ataque de Israel a ambulâncias com feridos rumo ao Egito.
Tel Aviv disse que a ação, na sexta (3), visava veículos com terroristas escondidos. O Hamas, grupo palestino que comanda Gaza e está em guerra com Israel desde que promoveu o mortífero ataque terrorista de 7 de outubro, sustenta que civis foram mortos.
Seja como for, o Egito pausou a operação, que depende de um sistema de autorizações que se sobrepõem: a do Cairo, a de Tel Aviv para evitar fuga de terroristas, e a dupla de Wa shington e Doha, mediadores do arranjo que começou a ser implementado na quarta passada.
De lá até sábado, cerca de 2.700 pessoas haviam sido autorizadas a sair, mas a inconstância do fluxo de pessoas no posto de Rafah impede uma conta exata de quem de fato deixou Gaza. As primeiras ambulâncias a chegar à fronteira eram do Crescente Vermelho/Cruz Vermelha, entidade internacional neutra.
Segundo nota divulgada pelo Hamas, “qualquer esforço para levar comboios de ambulâncias com feridos para Rafah deve ser acompanhado pelo Crescente Vermelho e por veículos da ONU para protegê-los”.
Até então, mais de cem feridos já haviam sido levados ao Egito. Todos voltarão a Gaza após tratamento, dado que o Cairo já disse que não aceitará um êxodo palestino para seu território.
Com tudo isso, os 34 integrantes do grupo do Itamaraty seguem esperando, e se queixando dos critérios adotados pelos envolvidos para definir quem sai. Ainda que a maioria até aqui tenha sido do principal aliado dos EUA, Israel, a presença de indonésios nas levas já despachadas dificulta a leitura de favorecimento: o país asiático nem tem relações com o Estado judeu, por exemplo.
O Brasil tem insistido em todos os lados, com conversas do chanceler Mauro Vieira com seus pares nos EUA, Egito, Israel, Autoridade Nacional Palestina, Qatar e até Irã, o mentor do Hamas e de outros grupos anti-Israel da região.
Folhapress





