Olá a todos. Em nosso último bate-papo falamos sobre alguns movimentos separatistas atuais no mundo, traremos a parte 2 com mais alguns exemplos de movimentos que acontecem atualmente.
Flandres
Flandres é a região mais ao norte da Bélgica e vem buscando reivindicar sua separação e independência de Valônia (região sul da Bélgica), o motivo seria devido ao desenvolvimento da região, em Flandres ficam grande parte das principais cidades do país, como a capital Bruxelas, Antwerp (Antuérpia), Gent e Brugge, tendo ‘somente’ Liege como cidade forte e importante na região de Valônia, e a mesma encontrasse quase na fronteira da região sul e norte do país.
Os líderes do movimento de Flandres consideram a região mais desenvolvida e rica do que Valônia, visto que sempre foram rota de comércio entre França, Holanda e Alemanha e, ainda possuem saída para o Mar do Norte, concentrando suas exportações no porto de Oostende. Sendo assim, para eles, Valônia suga recursos e limita o crescimento e desenvolvimento do país sem agregar a produtividade. Outra diferença se da por meio da cultura e língua, a região norte da Bélgica se aproxima mais da cultura e tem como o holandês de língua oficial enquanto na região sul os costumes se aproximam mais do francês e os tem como língua oficial, com destaque pare região leste que possui costumes e língua alemã presente devido à proximidade dos países.
País Basco
Região que se encontra bem ao norte da Espanha e até se estende pelo território francês. O movimento começou a ficar famoso a partir dos anos 80 e 90 devido a intensificação do ETA, sigla do dialeto basco que significa pátria, basquia e liberdade. O grupo classificado como terrorista realizou uma serie de ações a mão armada com intuito de reivindicar o afrouxamento das decisões da coroa espanhola acerca da independência do País Basco
Atualmente, o ETA desativou a luta armada, mas politicamente permanece buscando através da política a independência e aplicabilidade de regime republicano para a região, assim como a Catalunha.
Chechênia
Para entendermos as questões da Chechênia precisamos entender como o império russo se formou, que foi por meio de conquista de pequenos povos e amontoados de grupos que eram conquistados por intermédio de guerras ou acordos políticos para unificação desses grupos a Grande Rússia. Portanto, a pluralidade cultural, além de diferenças étnicas, religiosas e por vezes linguísticas fizeram por parte da antiga União Soviética e da atual Rússia.
Chechênia se encontra numa região chamada de Planalto do Cáucaso, no qual a países que se formaram após a extinção da URSS, como: Azerbaijão, Geórgia e Armênia, porém os mesmos ainda possuem muitas diferenças e étnicas internas, o que formam movimentos dentro dos mesmo, visto que parte de sua população se encontram muçulmanos, curdos, russos, turcos e outros.
Essa pluralidade e falta de resolução ocorrem em mais movimentos separatistas como de Abecásia, Ossétia do Norte, Ossétia do Sul, Daguestão, Circássia, Balcária e outros, o destaque da Chechênia ocorreu após um atentado de grupos pró independência atacaram uma escola na região, no qual as forças militares russas perderam controle da situação que resultou em um massacre a estudantes e funcionários, além da invasão das forças militares tanto na Chechênia quanto na Geórgia, aproveitando o gap de foco mundial nas Olímpiadas de 2008, para contenção dos grupos em prol da independência da região.
Diferente de outras regiões que mal podem se subsidiar caso separassem da Rússia devido a sua escassez de recursos, tornando-os assim, dependentes do governo russo, a Chechênia é importante caminho de transporte de gás natural e petróleo russo ao Oriente Médio e leste europeu, os chechenos acreditam que a manutenção deles como estado se daria devido a pedágios, taxas e impostos provenientes desse tipo de recurso e transporte de suma importância para diversas nações.
Transnístria
Estreita faixa de terra de 3500km² entre a Moldávia (país que a pertence) e Ucrânia, no qual em 1990 declarou sua independência e em 1992 lutou um guerra civil ceifando cerca de 2000 pessoas, para que fosse reconhecida e, apesar do ‘país’ ter bandeira, hino nacional, instituições e até moeda própria, eles nunca foram reconhecidos por ninguém.
Em 1991, com a dissolvição da União Soviética, diversos países se formaram e se separaram da Rússia, porém a Transnístria nunca aceitou as decisões imaculadas dessa decisão que vinham de muito antes pela formação histórica da região que já foi parte do Império Otomano, Império Russo e União Soviética até chegar aos dias de hoje. Em 1992 com intervenção russa houve um cessar fogo no conflito na região, desde então a Transnístria se tornou independente sem nunca deixar de fazer parte da Moldávia.
Internacionalmente, a Transnístria faz parte da Moldávia, sem possuir representantes em pautas externas e de assuntos que envolvem todas nações do mundo – inclusive a Moldávia deixa interesses da Transnístria fora das pautas a fim de afrontar e gerar desistência por parte dos separatistas -, entretanto as autoridades moldavas não possuem controle nenhum dentro do território da Transnístria, sendo a região controlada por líderes e instituições separatistas apoiadas e por vezes subsidiadas pela Rússia desde 1992.
Por vez, a Moldávia não possui capacidade e força para supressão da situação, tendo em vista que é considerado um país não desenvolvido, com baixíssimo PIB e índice de IDH sendo considerados um dos mais pobres da Europa, além disso, a Moldávia é totalmente dependente da Transnístria, uma vez que, grande parte das indústrias do país se localizam na região, Transnístria representa 8% do território e fornece cerca de 70% da energia da nação – a Rússia doa gás natural para a Transnístria que produz eletricidade de baixíssimo custo a partir dele e, a revende para Moldávia, reforçando a ideia de que sem a Rússia a Transnístria não consegue ir muito longe -.
A pauta de unificação e paz concreta entre ambos aparenta ser a melhor saída, porém sentimentos nacionalistas cresceram muito nos anos 80 na Moldávia, se criando assim, a cultura moldava nos quais os cidadãos da Moldávia eram vistos como de segunda classe na União Soviética enquanto a Transnístria eram considerados de elite, além disso a cultura na Moldávia se assemelhou muito aos costumes dos romenos e os levou a características mais ocidentais, enquanto na Transnístria a aproximação sempre foi aos russos, inclusive no dialeto, os aproximando assim do oriente – pessoas ligadas a cultura russa e ucraniana evitam até de utilizar o termo ‘Transnístria’, pois o mesmo é de origem romena e preferem declarar a região como ‘Prednestóvia’ (Pridnestrov´ye) que é de cunho russo -.
Em 2006, foi feito um referendo, sem envolvimento da Moldávia, no qual 93% da população optou pela independência e com uma futura anexação à Rússia novamente, entretanto Rússia não faz fronteira nem com a Moldávia e nem com a Transnístria, o que levanta pontos de possível intervenção militar russa na região e manipulação que envolvem até a recente invasão da Rússia à Ucrânia (onde há movimentos separatistas pró Rússia, na Criméia e em Donbass).
Os motivos russos são desconhecidos, até devido a duas guerras que ocorreram na Chechênia, a fim de evitar que a região se tornasse independente da Rússia, no mais a Rússia também não reconhece a independência de Kosovo da Sérvia, então qual seria o motivo para Rússia querer reconhecer a Transnístria e invadir a Ucrânia agora? É fato que, a Transnístria ainda possui laços fortes da época da União Soviética, como estátuas de Lenin e outras figuras pelo país, símbolo soviético na bandeira e moeda, contento até a foice e o martelo. Na Transnístria, a maior empresa é a Sheriff que controla quase tudo por lá, como: mercados, postos de gasolina, serviços de telecomunicações, construção civil, marcas de cigarros e bebidas alcoólicas e possuem até um time de futebol, o Sheriff Tiraspol, a empresa foi criada pelo primeiro presidente que assumiu o poder na região, Igor Smirnov. Ainda sobre a região, possui como capital Tiraspol, segunda maior cidade da Moldávia, e o número de habitantes na região é por volta de 500 mil pessoas.
Henry Dias cursa Relações Internacionais e escreve semanalmente neste espaço.





