Os ruídos gerados pelas críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Banco Central e à condução da política monetária têm aprofundado a piora das expectativas de inflação a cada semana e pressionado os juros, surtindo efeito reverso ao pretendido pelo governo em seu discurso.
O boletim Focus, que capta a percepção do mercado financeiro para indicadores econômicos, mostrou nesta segunda-feira (6/2) que a projeção para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) para este ano saltou para 5,78%, ante 5,74% na semana anterior. É a oitava semana seguida que a pesquisa traz uma revisão para cima do índice de inflação.
Para 2024, período de maior relevância para a atuação do BC hoje, a expectativa também subiu, passando de 3,9% para 3,93% –terceira elevação consecutiva. Para a taxa básica de juros (Selic), a estimativa se manteve estável em 12,5% em 2023 e foi a 9,75% ao final do próximo ano, contra 9,5% na semana anterior.
De acordo com estimativa feita por Luiz Fernando Figueiredo, ex-diretor do BC e presidente do conselho da Jive Investments, as falas de Lula podem resultar em um custo adicional na administração da dívida pública ao redor de R$ 100 bilhões neste ano, caso a curva de juros continue acima do nível observado antes das declarações.
“É dar um tiro no pé”, resume ele sobre as declarações do presidente. De acordo com o economista, o confronto do presidente com o BC é a principal razão de as expectativas de longo prazo estarem subindo. A questão fiscal entraria em segundo plano, com o receio dos economistas de que o Brasil não tenha uma política fiscal sustentável.
“O presidente Lula tem sido muito vocal contra a política monetária, contra o BC, até pondo uma certa dúvida se ele concorda com a independência da instituição. Isso coloca em risco a capacidade de o BC fazer o trabalho dele”, diz.
A previsão para a Selic saltou de 10,5% para 12,25% ao término de 2023. “No geral, as expectativas consensuais de inflação estão sugerindo que os analistas já estão trabalhando com uma meta de inflação, de fato, mais alta”, escreveram em relatório os economistas Leonardo Porto, Paulo Lopes e Thais Ortega.
No cenário de referência do Copom, que parte da premissa do Focus de corte de juros no segundo semestre, as projeções de inflação subiram para 5,6% para este ano. Para 2024, o colegiado elevou a previsão para 3,4%.
O BC incluiu um cenário alternativo, no qual a Selic é mantida constante ao longo de seu período de atuação, com projeções de inflação de 5,5% para este ano e 2,8% para 2024.
Folhapress





