17/09/2026

Criptos caem após atualização do Ethereum.

As principais criptomoedas aprofundaram perdas na quinta-feira (15/9), horas depois da conclusão de uma atualização da plataforma Ethereum considerada histórica para esse mercado. Apesar do sucesso da mudança, que ganhou o nome de “Merge” (Fusão), o cenário global de inflação e elevação de juros ofusca os benefícios que ela produzirá a longo prazo, dizem analistas.

O ether, moeda digital que só perde em importância para o bitcoin, recuou 4,77%. Queda semelhante à registrada pela Litecon, um dos ativos digitais mais tradicionais. A própria bitcoin cedeu 1,38%.

Variações consideradas até pequenas para a volatilidade desse tipo de ativo e, principalmente, em um momento em que a valorização da renda fixa, devido à alta global dos juros, tira a disposição de investidores para aplicações em renda variável, sobretudo as mais arriscadas, explica Paulo Aragão, fundador da CriptoFácil, plataforma de conteúdo especializado nesse setor.

“A atualização da Ethereum correu bem nesta madrugada, mas a fusão não está sendo precificada porque as boas notícias são ignoradas neste inverno cripto”, comentou Aragão.

Inverno cripto é como participantes desse mercado estão se referindo à severa baixa dos criptoativos. ether e bitcoin, por exemplo, acumulam perdas de aproximadamente 60% neste ano.

A maior mudança na Ethereum em mais de uma década foi concluída na madrugada desta quinta-feira (15). Trata-se de uma alteração que não afeta apenas o ether, que é o ativo nascido com a própria plataforma Ethereum, mas também atinge todos os atuais e futuros criptoativos que utilizam esse mesmo sistema.

Ethereum é essencialmente um programa de computador que usa a chamada tecnologia blockchain para registrar transações com ativos digitais. É a mais popular base para uma gama crescente de aplicativos criptográficos, como NFTs (tokens não fungíveis).

Antes de entender a mudança, é preciso saber que o sistema Ethereum não pertence a ninguém. Ele foi construído e continua a ser refinado por uma comunidade aberta de desenvolvedores.

A execução desse programa costumava depender de grandes centros computacionais espalhados pelo mundo. Operadores desses centros são chamados de mineradores.

Para emitir o Ether, programadores precisavam decifrar e encadear blocos de códigos lançados na internet por desenvolvedores. Por isso essa tecnologia é chamada blockchain, ou seja, uma corrente de blocos.

Mineração é como ficou conhecido esse trabalho de validação de criptoativos. A atividade requer a resolução de problemas matemáticos complexos, que exigem a utilização de computadores interligados e com alta capacidade de processamento.

Quando um minerador decifra o próximo bloco dessa corrente, ele recebe o Ether como recompensa, explica Paulo Aragão, da CriptoFácil.
Folhapress

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