
Durante reunião nesta segunda-feira (23/6) no conselho de governadores do órgão de vigilância nuclear da ONU, o chefe da AIEA, Rafael Grossi, fez um apelo para o cessar-fogo no Irã. O objetivo, segundo ele, seria para a agência fazer inspeções nas instalações nucleares iranianas.
A afirmação ocorre após os ataques dos Estados Unidos no fim de semana contra Natanz, Isfahan e Fordow, com mísseis de penetração no solo. Nesta segunda (23) também, Israel realizou novos ataques contra a última usina nuclear.
‘Estabelecer os fatos no terreno é um pré-requisito para qualquer acordo, e isso só pode ser feito por meio de inspeções da AIEA [Agência Internacional de Energia Atômica]. É necessário que haja uma cessação das hostilidades para que as condições de segurança necessárias prevaleçam, para que o Irã possa deixar as equipes da AIEA entrarem nos locais para avaliar a situação’.
Grossi disse que a expectativa é que os ataques americanos do fim de semana tivessem causado ‘danos muito significativos’ ao local, especialmente pela natureza sensível à vibração das centrífugas.
Apesar disso, ele comentou que não é possível saber as extensões dos danos internamente e dentro do solo.
‘Indiquei que qualquer transferência de material nuclear de uma instalação protegida para outro local no Irã deve ser declarada à Agência, conforme exigido pelo Acordo de Salvaguarda do Irã, e expressei minha prontidão para trabalhar com o Irã neste assunto’, comentou.
Grossi ainda comentou que ataques armados contra instalações nucleares nunca deveriam ocorrer e podem resultar em liberações radioativas com consequências graves. Ele disse que o Irã, Israel e o Oriente Médio precisam de paz, e o primeiro passo para ajudar seria retornar à mesa de negociações e permitir que os inspetores do órgão retornassem às instalações nucleares do Irã.
PETRÓLEO SOB TENSÃO
A semana começa com o petróleo em alta por causa da retaliação do Irã aos bombardeios dos Estados Unidos a instalações nucleares. O Congresso iraniano aprovou uma resolução que pede o fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passam diariamente cerca de 20% de todo o petróleo comercializado no mundo.
A medida ainda precisa do aval do Conselho Supremo de Segurança Nacional e do aiatolá Ali Khamenei, mas a possibilidade de bloqueio gera preocupação com a oferta global da commodity.
Nas últimas horas, o preço do barril de petróleo disparou mais de 5% e atingiu 81 dólares e 40 centavos. As principais bolsas asiáticas também operaram em queda nesta madrugada.
CBN





