
Depois de três dias e mais de 30 horas de debate, a Câmara dos Deputados da Argentina enfim aprovou o pacote de reformas liberais de Javier Milei. Foi o primeiro teste de apoio ao presidente recém-empossado —que terminou com uma vitória parcial, já que seu projeto original sofreu cortes significativos.
A base da chamada “lei ônibus” recebeu 144 votos a seu favor, mais do que os 129 necessários para ser aprovada. Agora, os legisladores vão discutir artigo por artigo até chegarem à redação final da legislação, que então será enviada às comissões e depois ao plenário do Senado. Os deputados voltarão a se reunir na próxima terça-feira (6/2).
Do lado de fora do Congresso, no centro de Buenos Aires, o debate foi marcado por tensão e protestos que terminaram com dezenas de feridos de quarta (31) até esta sexta (2), quando manifestantes chegaram a atear fogo em objetos. Entre os lesionados estão ao menos 32 jornalistas, além de 7 policiais, que têm agido segundo um novo “protocolo antipiquetes” que prevê tolerância zero com bloqueios de ruas.
Já do lado de dentro, o texto passou por três semanas de intensas negociações e fortes embates de forças no plenário. Isso porque Milei tem apenas uma pequena minoria no Congresso e depende do apoio da chamada “oposição dialoguista”, composta por partidos de direita, centro-direita e centro.
Em nota nas redes sociais, a Presidência comemorou o resultado e agradeceu em especial à “colaboração dos senhores deputados e chefes dos blocos” que pressionou nas últimas semanas. “Esperamos contar com a mesma grandeza no dia da votação específica da lei, para que ela avance para o Senado e comecemos a devolver a dignidade ao povo argentino.”
Esses grupos já haviam demonstrado que aprovariam a forma geral do texto, mas que discordam com a forma que ele aborda alguns temas, como os poderes do Legislativo concedidos ao presidente durante o estado de emergência, a privatização de estatais e a contração de dívida externa sem o aval do Congresso.
O texto aprovado, com menos de 400 dos 664 artigos propostos pelo governo, manteve esses pontos centrais.
Folhapress





