17/09/2026

Brasileiros descobrem anel em Quaoar, ‘primo’ de Plutão.

Um grupo internacional de pesquisadores com diversos participantes brasileiros descobriu que Quaoar, um dos grandes objetos de grande porte orbitando além de Netuno, tem um anel. O achado sugere que essas estruturas devem ser bem mais comuns do que se imaginava antes e põe em xeque a compreensão das condições que permitem que elas se formem.

Quaoar é um dos grandes objetos conhecidos que residem no chamado cinturão de Kuiper, onde também se localiza Plutão, o maior deles. Com estimados 1.110 km de diâmetro, ele tem a metade do tamanho do “primo” famoso.

Provavelmente também se trata de um planeta-anão, mas a União Astronômica Internacional (a “Fifa” da astronomia) não o classifica dessa maneira, porque uma das condições para receber o nome é ter atingido equilíbrio hidrostático (traduzindo do cientifiquês, ser aproximadamente esférico). O trabalho dos cientistas começou justamente com este objetivo: tentar determinar a forma de Quaoar.

Observações da luz refletida do objeto não são muito úteis para isso. Como ele é relativamente pequeno e distante, mesmo nossos melhores telescópios não revelam detalhes de sua forma. Quaoar aparece apenas como uns poucos pixels acesos, mesmo na melhor imagem. Para contornar a dificuldade, os astrônomos exploram fenômenos conhecidos como ocultações.

A coisa se dá quando a órbita do objeto o faz transitar à frente de uma estrela mais distante, bloqueando temporariamente sua luz. O tempo de bloqueio indica o tamanho do astro. E se esse bloqueio é medido de vários pontos da Terra, é como medir várias seções paralelas, cada uma com seu comprimento. Juntas, podem permitir a criação de um modelo aproximado da forma.

Ocultações, contudo, são eventos raros e difíceis de observar. Para o atual trabalho, publicado na edição desta semana da Nature, os pesquisadores contaram com dados de quatro ocultações diferentes produzidas por Quaoar, ocorridas em 2 de setembro de 2018, 5 de junho de 2019, 11 de junho de 2020 e 27 de agosto de 2021.

Os cortes transversais ainda não permitiram determinar a forma (trabalho que segue em andamento), mas revelaram algo ainda mais interessante: a presença de um anel em torno do astro, orbitando a cerca de 3.545 km da superfície —mais perto que a única lua conhecida de Quaoar, Weywot, que orbita mais longe, a 12.700 km do solo do potencial planeta-anão.

O anel se torna detectável por produzir ele mesmo rápidas ocultações da estrela de fundo, e a partir dos cortes transversais foi possível modelá-lo. Curiosamente, ele revela um padrão irregular, com regiões mais densas e outras menos densas, e os pesquisadores esperam uma composição por pedras de vários tamanhos, indo dos micrômetros a um quilômetro de diâmetro.
Folhapress

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