O Brasil, pelo 14º ano consecutivo, é o país com maior número total de homicídios de pessoas travestis e transexuais. 131 indivíduos foram mortos no país em 2022.
A maioria das vítimas tinha entre 18 e 29 anos, próximo à expectativa de vida de uma pessoa trans no Brasil, 35 anos.
Apesar disso, a taxa é 6% menor comparada se comparada ao registrado em 2021, quando houve 140 homicídios.
Por estado, Pernambuco, com 13, foi o campeão de assassinatos. São Paulo, historicamente o estado que reúne o maior número de vítimas, ficou em segundo lugar, com 11, empatado com o Ceará.
Na toada de Pernambuco e Ceará, o Nordeste é a região brasileira em que mais se assassinam trans e travestis. No último ano, 40,5% dos casos foram computados na região.
Os dados foram divulgados na tarde desta quinta-feira (26/1), quando o dossiê foi entregue ao ministro dos Direitos Humanos, Silvio Almeida. Durante esta semana, o ministro recebe várias personalidades trans. O Dia da Visibilidade Trans é comemorado no próximo domingo (29).
O dossiê também ressalta que a maioria dos crimes aconteceu durante a noite, com pessoas que se prostituem para sobreviver.
Para traçar o mapa da violência, a pesquisa da Antra levou em conta fontes primárias de informação, como entidades responsáveis pela segurança pública, Poder Judiciário e imprensa. Também foram usadas fontes secundárias, como redes sociais, relatos testemunhais e instituições de direitos humanos.
Logo após os brasileiros, mexicanos e norte-americanos são responsáveis pela maior quantidade de assassinatos de travestis e trans.
No México, 56 pessoas foram mortas em 2022; nos Estados Unidos, 51.
Segundo o projeto Trans Murder Monitoring (Monitoramento de Assassinatos de Trans, em português), do total de 4.639 homicídios catalogados entre janeiro de 2008 e setembro de 2022, 1.741 ocorreram no Brasil. Ou seja, sozinho, o país acumulou 37,5% das mortes mundiais.
Americanos e mexicanos têm 649 (14%) e 375 (8%) no mesmo período.
Por região, América Latina e Caribe concentram 68% dos assassinados catalogados desde 2008.
A análise do projeto mostra ainda que, em 2022, 95% dos assassinados em todo o mundo eram pessoas transfemininas. Além disso, pessoas pretas ou pardas representavam 65% das vítimas.
Folhapress





