Os eleitores não foram convocados neste ano a escolher prefeitos, mas eles têm sido cada vez mais atraídos a entrar de cabeça na campanha – para a Presidência da República. Nesta reta final da eleição, tanto o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como o atual, Jair Bolsonaro (PL), ampliaram o assédio sobre políticos locais para avançar sobre as máquinas municipais e aproveitar sua capilaridade num contexto em que as eleições já “esfriaram” na maioria dos Estados. Neste quesito, o atual chefe do Executivo leva vantagem: seu partido, o PL conquistou 345 prefeituras em 2020, quase o dobo do número alcançado pelo PT, de 183.
Com Bolsonaro na Presidência, outras legendas que orbitam na base federal ampliaram sua influência. O PP, por exemplo, conquistou 685 cidades em 2020 – alta de 40% em relação às eleições de 2016. O Republicanos, partido do candidato ao governo paulista Tarcísio de Freitas, saiu-se vitorioso em 211 municípios e o PTB, do ex-deputado Roberto Jefferson, venceu em 212.
Já do lado adversário, o PT enfrenta mais dificuldades para levar seu discurso à ponta, ao menos por meio de prefeitos aliados. Além de não comandar hoje nenhuma capital, o partido perdeu capilaridade desde 2020. O total de 183 prefeitos eleitos há dois anos é ainda menor do que o resultado obtido em 2016, na esteira das denúncias de corrupção investigadas pela Operação Lava Jato e pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff – naquele ano, haviam sido 256.
Estadão





