17/09/2026

Bolsonaro diz à PF que não pediu inserção de dados em carteira de vacinação.

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) disse em depoimento nesta terça-feira (16/5) à Polícia Federal que não determinou a inserção de dados falsos na sua carteira de vacinação e na de sua filha.

Ele também afirmou que só teve conhecimento da adulteração quando esse tema começou a ser divulgado pela imprensa, em fevereiro deste ano.

O ex-mandatário disse ainda às autoridades policiais que o tenente-coronel Mauro Cid, seu ex-braço direito e ex-chefe da ajudância de ordens do Planalto, “sequer comentou sobre certificados de vacina” com ele. Cid foi preso na mesma operação da PF.

Nesta terça, foram feitas 60 perguntas pelos policiais ao ex-chefe do Executivo no depoimento de mais de três horas, em Brasília, no âmbito da investigação sobre fraudes em carteiras de vacinação no sistema do Ministério da Saúde.

O ex-chefe do Executivo negou ter solicitado a Cid ou outras pessoas envolvidas no esquema a adulteração dos cartões de vacina dele e de sua filha, e disse desconhecer motivos para que tenham feito isso.

Bolsonaro disse que, no dia 29 de dezembro de 2022, o então ministro da CGU (Controladoria-Geral da União), Wagner Rosário, entrou em contato com ele para obter autorização para retirar o sigilo de seu cartão de vacinação.

O ex-presidente relatou ter autorizado seu auxiliar e afirmou que “o orientou que, caso houvesse alguma coisa errada, que se procedesse a investigação pertinente”. Bolsonaro sempre disse não ter se vacinado e criticava, sem evidências, a vacina contra a Covid-19.

Durante o depoimento, ele disse que a CGU havia aberto uma investigação sobre possíveis fraudes em seu cartão de vacinação quando ele ainda era presidente da República.

A suspeita da PF é de que Mauro Cid tenha adulterado, com ajuda de João Carlos de Sousa Brecha, então secretário de Governo de Duque de Caxias (RJ), os cartões de vacinação de Bolsonaro e da filha do ex-presidente.

À polícia Bolsonaro afirmou não ter “a menor ideia” das razões que levaram Brecha a fraudar o seu perfil no sistema do SUS (Sistema Único de Saúde).

Ele também foi questionado se conhecia as enfermeiras que, segundo os registros adulterados, teriam aplicado as doses de vacina.

Depois que os dados falsos foram inseridos no sistema, o aplicativo do ConecteSUS emitiu dois certificados de vacinação em nome de Jair Bolsonaro.

O ex-presidente afirmou que nem sequer sabe mexer no aplicativo e que toda a sua “gestão pessoal” sempre ficou a cargo de Cid. Mas disse não saber se foi, de fato, Cid quem emitiu os certificados.
Folhapress

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