17/09/2026

Betelgeuse está prestes a explodir como supernova, diz estudo.

Um novo estudo sugere que podemos estar diante do mais espetacular evento celeste da história da astronomia registrada –em questão de algumas décadas. De acordo com um quarteto de pesquisadores, esse pode ser o prazo para que a estrela Betelgeuse detone como uma supernova.

O astro é figurinha fácil no céu noturno mesmo com grande poluição luminosa: o ponto vermelhinho na constelação de Órion, da qual também fazem parte as famosas Três Marias, que tracejam o cinturão do mitológico caçador.

Trata-se de uma supergigante vermelha, o que significa dizer que é uma estrela com massa consideravelmente maior que a do Sol que já atingiu uma fase avançada de vida. Estrelas brilham ao consumir hidrogênio em seu núcleo, num processo de fusão nuclear. Quando o hidrogênio se esgota, elas incham, ficam avermelhadas e passam a fundir outros elementos, a começar pelo hélio.

Quatro cientistas agora contestam esse diagnóstico. Hideyuki Saio, da Universidade Tohoku, no Japão, e Devesh Nadal, Georges Meynet e Sylvia Ekstöm, da Universidade de Genebra, na Suíça, acabam de submeter ao Monthly Notices of the Royal Astronomical Society um artigo sugerindo que a estrela está mesmo nos seus estertores. “Concluímos que Betelgeuse está num estágio tardio de queima de carbono no núcleo e é uma boa candidata para a próxima supernova galáctica.”

Estima-se que uma supernova detone na Via Láctea em média a cada 50 anos, embora não exista uma periodicidade exata. Os pesquisadores descrevem o tempo remanescente para a explosão de Betelgeuse como “algumas décadas após o esgotamento de carbono no núcleo”, o que, do ponto de vista astronômico, é praticamente agora.

O que eles fizeram foi analisar os conhecidos quatro padrões periódicos de pulsações pelos quais a estrela passa e encaixá-los em modelos de evolução estelar, tratando o mais longo deles como o principal, enquanto outros grupos preferiam simplesmente ignorá-lo. Isso permitiu estimar em que fase da vida ela está e, de bônus, encontrou um encaixe muito bom para o Grande Obscurecimento. O quarteto faz também uma modesta predição que pode ajudar a corroborar seu trabalho: a de que um dos períodos de pulsação que parece ter sumido após a redução radical de brilho de 2019-2020 deve voltar a aparecer lá para 2025.

Quando essa explosão acontecer, Betelgeuse será visível à luz do dia e atingirá brilho comparável ao da Lua. E o mais peculiar: se esses astrônomos estiverem certos, isso já aconteceu. Afinal, a estrela está a pouco menos de 650 anos-luz da Terra, o que significa que a estamos vendo com um atraso de mais de meio milênio. É bem possível que estejamos apenas à espera da chegada da luz dessa detonação esplendorosa, em que a humanidade pela primeira vez poderá ver a olho nu a verdadeira natureza de uma supernova: não um astro novo que surge no céu do nada, mas um velho que acaba de se partir em um último lance de fúria antes de sumir de vista.
Folhapress

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