17/09/2026

Aviões capazes de lançar superbomba no Irã decolam dos EUA


De dois a seis bombardeios furtivos ao radar B-2 levantaram voo da base aérea de Whiteman, no Missouri (EUA). Os aviões são os únicos capazes de lançar a superbomba GBU-57, citada por especialistas como capaz de destruir os bunkers profundos do programa nuclear do Irã.

Na quinta-feira (19/6), o presidente Donald Trump disse que tomaria a decisão de unir-se a Israel nos ataques à teocracia iraniana em até duas semanas e determinou reforços extras das forças americanas no Oriente Médio —em semanas, haverá três grupos de porta-aviões na região.

Na manhã deste sábado (21), monitores de tráfego aéreo captaram a decolagem de dois B-2 Spirit, que são furtivos, mas não invisíveis ao radar, e na fase inicial de voo são rastreáveis por estarem com seus equipamentos de localização ativos.

Junto a eles, rumo a oeste, decolaram oito aviões de reabastecimento aéreo KC-135, um complemento que permite uma jornada de 11 horas até a montanha onde está enterrada a principal instalação nuclear secreta do Irã, em Fordow.

Mas o seu destino provável, segundo militares vazaram à mídia americana, é a base de Guam, no Pacífico —de Diego Garcia, no Índico. Esta base fica a uma distância de ataque ao Irã confortável com o uso de aviões-tanque e, ao mesmo tempo, fora do alcance de mísseis balísticos da teocracia.

É provável que eles fiquem de sobreaviso. Uma ação no Irã saindo de Guam, muito mais distante, passaria por vários países, enquanto de Diego Garcia seria só sobre o mar. Qualquer uma das hipóteses deve estar causando inquietação em Teerã.

O B-2 é a mais complexa aeronave já construída. Pode lançar cargas nucleares ou a coisa mais próxima no arsenal americano, que são as GBU-57, monstros de 13,6 toneladas capazes de penetrar defesas a mais de 60 metros de profundidade no solo e, aí, explodir de forma maciça.

Cada B-2 pode levar até duas delas. Israel não tem nada parecido em seu arsenal, que segundo sua Força Aérea até aqui destruiu instalações nucleares iranianas de forma a atrasar o programa do país em dois ou três anos.

O objetivo declarado de Israel, que começou a atacar há uma semana e está sob fogo de mísseis e drones de Teerã, é anular a capacidade dos iranianos de fazer uma bomba atômica totalmente. No meio do caminho, estão matando a liderança militar do país e obliterando suas capacidades de defesa antiaérea e de ataque de longa distância.

As decolagens do B-2 deste sábado podem ter sido acompanhadas por outros desses bombardeiros, nesse caso voando sem o chamado transponder ligado, dificultando sua detecção. Monitores dizem que podem ser até seis aviões. Há 19 desse bombardeiros no inventário da Força Aérea do EUA.

Trump já havia posicionado o modelo em Diego Garcia em abril, quando começou a pressionar o Irã a sentar-se à mesa de negociações para fazer um acordo no qual os aiatolás recusam a bomba atômica em troca do fim de sanções ao país.

Deu certo, as conversas avançaram, e os B-2 voltaram para os EUA em algum momento do mês passado. Eles participaram de ações contra os houthis do Iêmen a partir da base e foram substituídos por modelos B-52. Imagens de satélite mostram grande movimentação no local, com aviões-tanque, de transporte e caças de ataque F/A-18 também.

Também neste sábado, o comando militar dos rebeldes iemenitas, bancados por Teerã, disse que voltará a atacar navios americanos na região caso Trump decida bombardear o Irã. Eles mantêm uma trégua com as forças ocidentais no mar Vermelho desde o mês passado, mas seguem disparando mísseis contra Israel.
Folhapress

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