
Núcleo de Jornalismo | Diário Caiçara — O avanço do mar e a redução da faixa de areia em praias de Caraguatatuba, estão sendo acompanhados por pesquisadores e representantes do município. Estudos do Instituto de Pesquisas Ambientais (IPA) apontam que as praias da Mococa, Massaguaçu e Martim de Sá estão entre as áreas mais vulneráveis à erosão costeira na cidade.
O problema não é recente. Em algumas regiões, a ação das ondas e das ressacas provoca mudanças na faixa de areia há décadas. Na porção norte da Praia da Mococa, levantamentos indicam um recuo superior a 80 metros ao longo do processo erosivo.
Em Massaguaçu, a força das ondas contribui para um processo de erosão considerado crônico. Já na Martim de Sá, a redução da faixa de areia também preocupa comerciantes e moradores, principalmente pelos impactos na estrutura da orla.
A erosão costeira acontece quando uma praia perde mais areia do que recebe naturalmente. O fenômeno pode ser influenciado pelas correntes marítimas, ressacas, mudanças climáticas e intervenções humanas próximas ao litoral.
USP e Prefeitura discutem alternativas
O assunto foi debatido em uma reunião realizada no dia 8 de outubro, entre representantes da Prefeitura de Caraguatatuba, do Instituto de Oceanografia da Universidade de São Paulo (USP) e da Associação Caraguatás Ambiental.
Durante o encontro, foram apresentados estudos sobre as transformações na costa do município e discutidas alternativas para reduzir os impactos da erosão.
Uma das propostas é a criação do Centro para Soluções Costeiras, iniciativa desenvolvida pelo Instituto de Oceanografia da USP, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).
O projeto pretende reunir pesquisadores brasileiros e estrangeiros para desenvolver estudos e orientar municípios na adoção de medidas de proteção ambiental.
Entre as alternativas consideradas estão a recuperação da vegetação de restinga e a preservação dos manguezais, que ajudam a reduzir os impactos das ondas e das marés sobre a costa.
Erosão também afeta comércio e projetos de infraestrutura
Na Praia da Mococa, a erosão já provocou danos a antigos quiosques construídos em madeira e alvenaria. Parte dos comerciantes passou a utilizar estruturas móveis, que podem ser remanejadas conforme as condições da praia.
Em Massaguaçu, especialistas também discutiram os possíveis impactos da proposta de duplicação da Rodovia Rio-Santos (SP-055), que está em análise de licenciamento ambiental na Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb).
O projeto prevê intervenções próximas à orla, incluindo quiosques e passagens subterrâneas para pedestres. Técnicos apontaram a necessidade de reavaliar essas estruturas considerando a dinâmica das ondas e das marés.
O diretor do Instituto de Oceanografia da USP, Eduardo Siegle, destacou a importância de aproximar o conhecimento científico da administração pública para orientar decisões sobre o desenvolvimento das cidades litorâneas.
A Prefeitura de Caraguatatuba formalizou sua adesão à proposta do Centro para Soluções Costeiras e disponibilizou apoio institucional para o desenvolvimento dos trabalhos.
A expectativa é que os estudos contribuam para o planejamento urbano, a preservação ambiental e a definição de medidas de proteção das praias do município.
Imagem: PMC





