“O preço informado está fora da variação permitida. Deseja continuar?” O alerta do sistema de coleta de preços da Fundação Getulio Vargas tem aparecido com frequência nos celulares das donas de casa que ajudam a medir a inflação no país. O surto inflacionário vivido desde o início de 2021 é visto como uma distorção até mesmo pelas máquinas da fundação. Para as pessoas responsáveis pela coleta, a avaliação não é muito diferente.
“É bem assustador comparar com outra época, e não estou falando de tanto tempo atrás, e ver o quanto a gente perdeu de poder de compra”, afirma Sylvia de Assis Cardoso, funcionária do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas).
Suas informações abastecem indicadores como os IGPs (índices gerais de preços) e o IPC-S (índice de preços ao consumidor), divulgados a cada dez dias. Também vão para o monitor da inflação, coleta diária utilizada pelo mercado financeiro para tentar projetar o IPCA, índice oficial medido pelo IBGE.
Sylvia já foi uma das donas de casa autônomas que verificam os preços na cidade do Rio de Janeiro, de 2016 a 2019. Agora, faz a coleta online e por telefone no escritório da Fundação, além de dar suporte às colegas na rua.
As donas de casa são responsáveis pelos preços em supermercados, pequenos comércios, farmácias, postos de gasolina, entre outros estabelecimentos comerciais. Os funcionários que fazem o trabalho remoto pesquisam itens como passagens aéreas, ônibus intermunicipais e botijão de gás. Dados de notas fiscais complementam o trabalho na FGV.
A discrepância de preços também dificulta a tarefa dos responsáveis pelo índice de preços ao consumidor da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), afirma Moacir Mokem Yabiku. Ele trabalha com o IPC há mais de 40 anos, desde os tempos em que o levantamento era feito com papel e caneta.
Folhapress





