Lideranças do agronegócio se enganam ao não apoiar os manifestos pela democracia, diz o pecuarista Pedro de Camargo Neto, ex-presidente da Sociedade Rural Brasileira e ex-presidente da Associação dos Produtores e Exportadores de Carne Suína.
Para Camargo Neto, um dos signatários do manifesto que já conta com centenas de milhares de assinaturas, todos sairão perdendo se os resultados das eleições não forem respeitados.
“É preciso entrar em uma eleição confiante de que a regra é aquela e que o resultado será aceito, mesmo que não for o que interessa a algum dos candidatos. Se houver uma turbulência na democracia, com certeza todo mundo vai ser afetado”, diz Camargo Neto, que declarou apoio à candidata do MDB à presidência, Simone Tebet.
Produtor rural há 40 anos, Neto foi secretário de Política Agrícola no governo Fernando Henrique Cardoso.
Muitos banqueiros, empresários, industriais e investidores aderiram aos manifestos em defesa da democracia lançados nesta semana. Mas há poucas lideranças do agronegócio entre os signatários. Por quê? É difícil até de explicar, porque se trata de uma carta redigida com o cuidado de ser apartidária e a favor da democracia, algo que antecede o processo eleitoral. É simplesmente aceitar as regras do processo eleitoral, até se perder. Mas o presidente [Jair] Bolsonaro falou que vê a carta como eleitoral, reagiu assim, e o agro apoia muito o Bolsonaro.
Por que o agro apoia o presidente Bolsonaro? A pandemia —que foi trágica, causou centenas de milhares de mortes— teve um efeito econômico positivo no setor agrícola, com pleno emprego, preços bons, então o setor viveu um período econômico bom.
Os dois ministros da Agricultura do governo Bolsonaro, Teresa Cristina e Marcos Montes, tiveram um diálogo muito bom do setor. Então a conjuntura econômica favorável e os dois bons ministros da Agricultura criaram um clima favorável ao governo Bolsonaro.
Eu também vivi esse momento econômico positivo, e tive bom relacionamento com os ministros, mas não é por isso que vou apoiar de qualquer maneira.
Folhapress





