17/09/2026

Ação do garimpo contra yanomamis tem ataques a postos, estupro e até show.

Além de fome, destruição e morte, a invasão da Terra Yanomami por garimpeiros ilegais ao longo dos últimos anos provocou ocupação e fechamento de postos de saúde e um caso suspeito de estupro, entre outros crimes.

O MPF (Ministério Público Federal) em Roraima lista 13 visitas, nove ações e quatro recomendações em suas investigação de casos de violência e proteção dos povos entre 2021 e 2022.

Segundo relatório do povo yanomami, somente de 2018 a 2021 a área de garimpo na Terra Indígena cresceu de forma avassaladora, saltando de 1.200 para 3.272 hectares.

Um dos casos de maior repercussão ocorreu em abril de 2022, quando uma menina de 12 anos da comunidade Aracaçá teria sido estuprada e morta por garimpeiros.

Após o crime, o corpo dela foi jogado no rio. O MPF e outros órgãos realizaram diligência ao local, mas não encontraram vestígios do crime.

A área onde o estupro teria ocorrido foi queimada —um ritual tradicional para casos de morte violenta de um integrante do povo.

Durante a pandemia de covid-19, houve intensificação de procedimentos para tentar garantir a proteção dos indígenas das invasões.

No início de 2021, os procuradores da República investigaram a realização de show musical promovido pelo garimpo na Terra Yanomami.

A apresentação do cantor Wanderley Andrade ocorreu em 27 de dezembro de 2020, em meio à fase crítica de disseminação do coronavírus, em uma localidade conhecida como Prainha, em Alto Alegre.

Após acordo entre MPF, artista e representantes do povo indígena, Wanderley Andrade gravou um vídeo pedindo desculpas, alegou não ter ciência da invasão e ainda doou ferramentas e equipamentos de trabalho para as comunidades afetadas.
UOL

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