
Uma mulher de cerca de 30 anos afirma que, sem saber, enfiou um motorista de aplicativo em uma emboscada na madrugada de domingo (9/7) entre Santos e São Vicente, litoral de SP. Ela conta que, de boa-fé, chamou um veículo por aplicativo para três jovens desconhecidos e, ao acompanhar a corrida via celular, suspeitou da mudança de trajeto e chamou a polícia.
Horas depois, ela acabou descobrindo que o motorista havia sido vítima de sequestro relâmpago perpetrado pelos mesmos jovens para os quais ela pediu o veículo. Contatada nesta terça-feira (11), a Uber lamentou o caso, disse que está à disposição das autoridades e que desativou a conta da usuária.
O que aconteceu
A mulher relatou o episódio em uma página regional nas redes sociais na tarde de ontem. Ela afirma que ao chegar de carona no prédio onde mora [em Santos] por volta de 4h da madrugada, três jovens perguntaram se o motorista era por aplicativo e se ele poderia levá-los até um bar próximo. O motorista se recusou.
“Uns segundos depois, eles me chamaram e imploraram para eu chamar um Uber, pois estavam lá há muito tempo e não tinham o app. Como estava chovendo, fiquei com pena e acabei chamando”, justifica a mulher no relato. A reportagem não conseguiu contatá-la.
Acompanhando o percurso pelo aplicativo, ela afirma na postagem que desconfiou de uma mudança de trajeto e, sem conseguir falar com o motorista, chamou a polícia. “O motorista alterou a rota. Liguei [para a polícia] em torno de cinco vezes para pedir atualização e falaram que não acharam o carro”.
Dados da corrida a que a reportagem teve acesso mostram que o motorista fez um trajeto de cerca de 10 km entre o Marapé em Santos e a Vila Margarida em São Vicente.
Horas depois da corrida, a mulher afirma que conseguiu contato com o motorista que lhe contou que havia sido sequestrado pelo trio. “À noite, consegui falar com ele e ele me contou que foi um sequestro relâmpago. O cara estava armado, levaram ele numa viela, atiraram pro alto e para o chão para intimidar. Levaram celular, carteira e tudo mais, zeraram a conta dele por Pix. Eu me senti sem chão” (sic), revelou ela.
A reportagem ainda não conseguiu identificar o motorista e aguarda informações da SSP (Secretaria de Segurança Pública) sobre a ocorrência e eventuais suspeitos identificados.
A Uber lamentou “que motoristas parceiros sejam alvo da violência que permeia nossa sociedade”. A empresa disse que permanece à disposição das autoridades para auxiliar no curso das investigações “nos termos da lei”.
“Segurança é prioridade para a Uber e a empresa está sempre buscando, por meio da tecnologia, fazer da sua plataforma a mais segura possível, de uma forma escalável. Hoje, uma viagem pelo aplicativo já inclui ferramentas de segurança antes, durante e depois de cada viagem, tanto para os usuários quanto para os motoristas parceiros”, acrescentou a Uber.
A empresa também disse que, assim que tomou conhecimento do episódio, desativou a conta da mulher que solicitou a viagem. Informações e imagem: Costa Norte





