17/09/2026

Turma de fotografia impulsiona a economia local da Vila Sahy


(Da Redação) Montar cenários, garantir a iluminação adequada e a exposição atrativa do produto. Essa combinação, aliada a um mentor experiente, tem composto o cenário favorável para impulsionar a economia local da Vila Sahy, em São Sebastião, região mais afetada com as fortes chuvas de 19 de fevereiro.

As ações realizadas pelo Instituto Verdescola incluem atendimento psicossocial, oficinas socioeducativas e cursos de qualificação profissional. A aprendizagem integral é o principal foco, ou seja, o objetivo é oferecer condições para que crianças, jovens e adultos possam adquirir conhecimento além da técnica.

O curso de fotografia profissional do Verdescola para a comunidade é uma dessas ações. Inicialmente, a oficina era ministrada apenas para os jovens assistidos pela ONG, com idades entre 10 e 17 anos, mas em 2023, expandiu o público-alvo para moradores da região. Os alunos e seus interesses são diversos. Há quem tenha a vontade de trabalhar com fotografia profissional e também aqueles que pretendem usar a fotografia para alavancar o seu negócio, como é o caso de Lucas Resende que, em parceria com a esposa, Sara Dafne Teodoro Resende da Rocha, montou uma loja de doces na Vila Sahy.

Lucas decidiu fazer o curso para aprimorar as habilidades e divulgar o seu negócio. “Eu trabalho com produtos que as pessoas, primeiro, comem com os olhos. Eu precisava que essa divulgação estivesse o mais profissional possível dentro da minha realidade. E o curso tem me ajudado nisso. Temos melhorado a nossa divulgação por meio das fotos”, conta.

A fotografia de alimentos já estava na grade do curso ministrado pelo fotógrafo profissional e mentor Martin Gurfein. “Estava previsto no programa do nosso curso e, quando chegou esse momento, eu sabia que o Lucas tinha uma loja de doces e apareceu o seu Dell, um funcionário do Verdescola, que faz doce de leite caseiro com a filha. Decidi unir os propósitos e ajudar esses empreendedores”, explica Gurfein.

Francisco Idelbrano Bibiano Chaves, ou Dell, como é conhecido, é encarregado de limpeza no Instituto Verdescola e há alguns meses começou a fazer doce de leite caseiro com a filha para complementar a renda. “Eu vendi um doce para o Martin e ele gostou muito. Então, se prontificou a me ajudar tirando fotos para divulgar. A turma fez fotos lindas que usei no Instagram e no Whatsapp e tive mais visibilidade. O pessoal viu o doce no pão francês e tudo. Foi muito bom”, comemora o proprietário do Doce do Dell.

Os resultados chegaram também para Lucas, que impulsionou as vendas em seu comércio, o Cantinho Doce, que fica no coração da Vila Sahy, na Rua Luis Basílio dos Santos, mais conhecida como Rua Zero. “Fizemos fotos dos doces, da arquitetura da loja, do ambiente. E já aumentei as vendas, as fotos profissionais despertam o interesse de outras pessoas para provarem meus produtos”, disse o comerciante.

“O que Martin fez foi mostrar na prática o que é um pensamento sustentável aos seus aspirantes de fotografia que sairão do curso com uma visão sistêmica e integral”, explica Raquel de Oliveira, diretora-geral do Instituto Verdescola. O mentor enxergou uma necessidade real da comunidade, mudou o curso da aula prática e ali ele iniciou uma ação que pode ser aplicada em outros segmentos de comércio da região. “Trabalho com essa comunidade há 13 anos e sei que a Vila Sahy precisa se sustentar. Os habitantes da Vila merecem esse crescimento e entender que posso ir além das aulas me deixa extremamente inspirado”, conta o fotógrafo profissional.

A experiência tem sido peça-chave para o crescimento profissional de Lucas. “O curso está me ajudando a ter noção de como me comportar ao tirar uma foto, a melhorar a divulgação dos meus produtos. E ainda tenho um professor com vasta experiência no que faz, fico honrado de fazer parte de tudo isso”, declarou Lucas.

Outros aspirantes a fotógrafos que participaram da sessão comemoraram o impacto da ação, como o Felipe Musskopf, de 29 anos, que é professor de inglês e apaixonado por fotografia. “Eu entrei no curso pelo aspecto divertido e artístico da fotografia. Mas aprendi a ser um profissional da fotografia, como interagir com o cliente, ter um método de trabalho organizado, saber quando e como usar o equipamento. São coisas que eu não imaginava que ia aprender. Aí você imagina, se a gente aprende a sempre tirar fotos boas assim no dia a dia – dez, quinze alunos – com certeza isso vai ter um impacto muito bom pros comércios locais”.

A maquiadora Paula Penedo também viu no curso uma oportunidade de ampliar a oferta de serviços, mas se deparou com a oportunidade de ajudar outros a crescerem também. “Foi uma honra participar dessas produções. Na era em que estamos, do mundo digital, fotos que vendem são essenciais. Ver o estilo de trabalho do professor Martin também foi incrível, tem sido uma experiência e tanto. O curso tem nos impulsionado e nos motivado muito”.

Atentar-se às necessidades da comunidade é uma prática adotada pelo Instituto Verdescola. “É uma característica do nosso DNA ter uma escuta ativa com nossos assistidos para compor ações que possam auxiliá-los em seu crescimento, com autonomia para a vida e empregabilidade”, explica a diretora-geral da ONG.

Para Raquel, é imprescindível obter a responsabilidade individual de transformar o seu entorno e o mundo. “Quando mudamos nosso olhar e enxergamos além de nós mesmos, percebemos o que as outras pessoas e a comunidade precisam, refletimos e promovemos mudanças efetivas”.

O curso é ministrado por Martin Gurfein. Nascido em Buenos Aires, na Argentina, Gurfein mudou-se definitivamente para o Brasil em 1988. Foi editor de fotografia da revista Caras e hoje se dedica à aprendizagem. O mestre da fotografia acredita que sua inspiração é continuar o seu legado.

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