17/09/2026

PCC tem mais de 2 mil integrantes espalhados pelo mundo, a maioria em presídios; número pula para 40 mil quando se inclui o Brasil

A facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) tem ao menos 2.078 integrantes espalhados por 28 países pelo mundo. Mais da metade, 1.092, estão dentro de presídios fora do Brasil.

O Paraguai é o país que concentra o maior número de integrantes: 699, sendo 341 presos e 358 soltos. Já há integrantes da facção dentro de presídios europeus: Espanha, França, Holanda e Irlanda.

No total, incluindo o Brasil, o PCC tem cerca de 40 mil integrantes.

Os números constam em um mapeamento do Ministério Público de São Paulo obtido com exclusividade pela GloboNews e g1. O relatório tem sido apresentado a embaixadas e consulados fora do país para cooperação internacional no combate a crimes transnacionais em pelo menos quatro continentes.

O mapeamento é fruto de um cruzamento de informações de inteligência, coletadas por meio do monitoramento de integrantes do PCC que fazem parte das chamadas “Sintonia dos Estados” e “Sintonia dos Países”.

Os membros desses setores são responsáveis pelo acompanhamento do desenvolvimento da facção fora do estado de São Paulo e fora do Brasil, além da análise de dados a partir da quebra do sigilo telefônico e telemático de investigados e da troca de informações com autoridades estrangeiras.

Além da expansão para diferentes territórios, o que tem chamado a atenção das autoridades e investigadores brasileiros e também estrangeiros é o fato de os integrantes do PCC terem buscado outros países não só para viagens temporárias, mas também como moradia fixa e infiltração em cadeias, uma espécie de “marca registrada” da facção criminosa paulista.

“O maior perigo do PCC é a sua origem prisional, onde eles têm poder de organização e de ideologia, uma disciplina muito rígida e que se dissemina muito fácil no sistema prisional. Esse é o maior perigo para os países europeus da presença do PCC, mas eles estão também aprendendo com os europeus, sobretudo com os italianos, na distribuição de drogas, no envio do dinheiro sem que ele circule em termos formais,” Lincoln Gakiya, promotor de justiça do Ministério Público de São Paulo.

A pesquisadora da Universidade Federal do ABC (UFABC) Camila Nunes Dias, também especialista em sistema prisional e criminalidade organizada, chama a atenção para a diferença entre a passagem de criminosos em um determinado país para fazer negócios – o que não causa impactos relevantes do ponto de vista da violência – e o movimento de permanência nos territórios de interesse da facção.

“O integrante do PCC não vai ter a preocupação de batizar, de recrutar, de construir uma estrutura criminal do PCC. E isso acontece acho que na maioria dos territórios novos onde o PCC se expande com essa finalidade de cunho meramente econômico e comercial. Quando há uma fixação, há um interesse de controle, de estabelecimento da estrutura do PCC. E isso implica que vai haver aí a busca ativa, com estratégias de recrutamento, de batizar pessoas, seja outros brasileiros, ou seja as pessoas nativas daquele país. Isso vai depender muito do grau de proximidade cultural com o Brasil”, pondera Camila.
g1

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