
Maior nome da dramaturgia nacional e criador da linguagem tropicalista no teatro, José Celso Martinez Corrêa, o Zé Celso, que encenou a folia, a orgia e a anarquia no Teatro Oficina, morreu nesta quinta-feira (6/7), aos 86 anos, em São Paulo.
Ele estava internado na unidade de terapia intensiva do Hospital das Clínicas depois de ter tido 53% de seu corpo queimado em um incêndio causado por um aquecedor elétrico que consumiu seu apartamento, no Paraíso, bairro da zona sul paulistana, durante a madrugada de terça-feira (4).
Nos anos 1960, Zé Celso escolheu a anarquia oswaldiana para desafiar a repressão da ditadura militar. O artista participou do grupo fundador do Teatro Oficina —também formado por Renato Borghi, Fauzi Arap, Etty Fraser, Amir Haddad e Ronaldo Daniel—, que se tornaria símbolo do teatro brasileiro.
Dez anos mais tarde, a companhia montou “O Rei da Vela”, clássico inspirado no livro de mesmo nome escrito em 1933 por Oswald de Andrade, que satirizou a política e o comportamento subserviente do país em relação ao mundo desenvolvido.
Em suas peças, o diretor buscou desregular o moralismo conservador, com a nudez e a escatologia. A transgressão era, simbolicamente, uma agressão à ordem vigente, o que se tornou elemento constitutivo da poética do Oficina.
Em 1974, Zé Celso foi preso numa solitária e torturado. Sem condições de trabalho no Brasil, o artista se exilou em Portugal, onde montou “Galileu Galilei”, espetáculo inspirado na teoria do dramaturgo alemão Bertold Brecht. Em 2010, Zé Celso foi anistiado pelo Estado brasileiro, recebendo também uma indenização de R$ 570 mil.
Nascido em Araraquara, no interior de São Paulo, Zé Celso estudou para ser advogado na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco. No Centro Acadêmico 11 de Agosto, integrou o grupo de jovens que formaria o Teatro Oficina em sua fase amadora. Na época, escreveu os textos “Vento Forte para Papagaio Subir”, de 1958, e “A Incubadeira”, de 1959, ambos dirigidos por Amir Haddad.
Zé Celso deixa o marido, Marcelo Drummond, ator do Oficina, com quem viveu durante 37 anos.
Folhapress





