17/09/2026

Morre Nana Caymmi, uma das maiores intérpretes da canção brasileira, aos 84

“Longe, longe, ouço essa voz que o tempo não vai levar”, cantava Nana Caymmi, uma das maiores intérpretes da canção brasileira, que morreu nesta quinta-feira (1°/5), aos 84 anos. Na célebre versão de “Sentinela”, de Milton Nascimento e Fernando Brant, bastavam onze palavras para seu canto se impor e nos emocionar.

Nos últimos anos, a artista passou por diversas internações, no Rio de Janeiro, para tratar de uma arritmia cardíaca e implantar um marca-passo. A causa de sua morte foi falência múltipla dos órgãos, segundo sua assessoria de imprensa. Ela estava internada na Casa de Saúde São José, hospital em Botafogo, no Rio de Janeiro.

“Estamos na família muito chocados e tristes. Ela passou nove meses de sofrimento na UTI, um processo muito doloroso, de várias comorbidades. O Brasil perde uma grande cantora, uma das maiores intérpretes que o Brasil já viu de sentimento, de tudo”, disse seu irmão, Danilo Caymmi, em vídeo publicado no Instagram. “Estamos muito tristes, mas ela penou nove meses de sofrimento dentro de uma UTI de hospital.”

Filha mais velha de Dorival Caymmi e Stella Maris, irmã dos também músicos Dori e Danilo, Dinahir Tostes Caymmi já era Nana quando cantou “Acalanto”, aos 19 anos, no disco de seu pai.

Sua aparição como convidada ao lado de Milton em “Sentinela” dá-se em 1980, momento em que o compositor estava no auge da carreira. Poucos intérpretes poderiam, àquela altura, manter-se grandiosos e marcantes ao lado dele como Nana o fez.

Controle total da respiração e da afinação, peso adequado a cada palavra, vibrato preciso, sensibilidade às variações de dinâmica das frases e a característica dicção da família, com seu DNA vocal quente, fechado e ressoante. Assim soava a voz de Nana Caymmi.

Em seu último trabalho de estúdio, “Nana-Tom-Vinicius”, de 2020, lançado aos 79 anos —durante a pandemia—, novamente com arranjos do irmão Dori, sua voz seguia impecável.

Cantava com categoria e, aparentemente, sem nenhum esforço. Fã da soprano lírica Renata Tebaldi, ela deixa forte influência musical em uma intérprete como Mônica Salmaso.
Folhapress

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