17/09/2026

Morre João Donato, um dos precursores da bossa nova, aos 88 anos.

Morreu, nesta segunda-feira, dia 17/7, João Donato, um dos maiores nomes da história da música popular brasileira, aos 88 anos. A informação foi confirmada pela assessoria de imprensa do artista. Ele será velado no Theatro Municipal do Rio de Janeiro e cremado no Memorial do Carmo, no Caju, na região central da cidade. O horário do velório ainda não foi divulgado.

Donato estava internado com pneumonia na Casa de Saúde São José, no Humaitá, e chegou a ser intubado há duas semanas.

Compositor de reconhecimento internacional, Donato é amplamente considerado um pianista brilhante. Com um estilo inconfundível de atacar as notas, fundiu as premissas estéticas da bossa nova a ritmos caribenhos, promovendo um diálogo entre a música brasileira e as tradições rítmicas do continente americano.

Num primeiro momento, suas composições pareciam simples, escondendo a complexidade de suas construções harmônicas. Ao longo do tempo, a suposta simplicidade de Donato foi reverenciada e almejada por todos os seus pares.

Símbolo de seu procedimento criativo e um dos maiores sucessos da carreira, “A Rã” foi gravada, pela primeira vez, como “The Frog”, no disco “A Bad Donato”, de 1970. Três anos mais tarde, a música, já em português, aparece no disco clássico “Quem é Quem” e ganharia letra de Caetano Veloso e interpretação de Gal Costa, no disco “Cantar”, de 1974. No mesmo álbum, Gal gravou também “Flor de Maracujá”, popularizando a composição de Donato com seu irmão caçula, Lysias Enio.

Em “Quem é Quem”, Donato já apresentava uma linguagem muito particular. Cantando baixinho, ao modo de João Gilberto, louvava, em suas composições, a natureza, o bem-estar e o aqui e agora. Era feliz por viver nos trópicos e não perdia tempo com lamúrias, como diz em “Chorou, Chorou”. No disco, ainda ouvimos a interpretação clássica de “Mentiras” na voz de Nana Caymmi.

Nascido em Rio Branco, no Acre, Donato conviveu com a música desde pequeno. Seu pai, um major da aeronáutica, tocava bandolim nas horas vagas. Sua mãe gostava de cantar e a irmã mais velha sonhava em ser pianista.

No começo do ano, ele se apresentou em São Paulo com as músicas deste álbum. No palco, o músico tocou piano e cantou acompanhado pelo contrabaixista Fabio Sá, pelo baterista Sérgio Machado, pela cantora Anais Sylla e pelos sopros de Marcelo Monteiro.
Folhapress

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