
O jornalista José Roberto Guzzo, 82, morreu na madrugada deste sábado (2/8), em São Paulo. Segundo informações da revista Oeste, da qual foi fundador, ele foi vítima de um infarto.
J.R. Guzzo, como assinava seus textos, também era colunista do jornal O Estado de S. Paulo, após trajetória de décadas no Grupo Abril, incluindo a direção das revistas Veja e Exame.
Em 2020, fundou a revista Oeste ao lado dos jornalistas Jairo Leal e Augusto Nunes, com perfil editorial alinhado à direita e ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A fundação da nova publicação ocorreu após uma demissão conturbada da Veja, onde ele foi colunista de 2008 a 2019. O motivo alegado por ele foi a recusa da revista em publicar um texto com críticas ao STF (Supremo Tribunal Federal).
O artigo foi publicado pela Folha em outubro de 2019. No texto, Guzzo defendia a saída de ministros da corte. Ele usou a palavra “calendário” como metonímia de “tempo”, ao dizer que só o calendário “pode resolver um problema que jamais deveria ter se transformado em problema, pois sua função é justamente resolver problemas – o Supremo Tribunal Federal”.
“Gilmar e os seus colegas podem rasgar a Constituição todos os dias, mas não podem fugir da velhice”, escreveu ele. O texto foi posteriormente publicado nas redes sociais.
O Supremo continuou na mira do jornalista após o episódio. A última coluna escrita por Guzzo para O Estado de S. Paulo foi enviada à redação do jornal na última sexta-feira (1º), horas antes de ele passar mal. O texto dizia que “os Estados Unidos, dentro das suas leis, aplicaram punições ao Brasil pelo que estimam ser o comportamento delinquente do governo e do ministro Alexandre de Moraes” e criticava o governo pela posição de defesa ao ministro.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), definiu Guzzo como “um jornalista que marcou época por sua coragem, lucidez e compromisso inegociável com a liberdade de expressão”. “O país perde uma referência intelectual que nunca se calou diante do poder”, afirmou.
Folhapress





